Crise trouxe só prejuízos, queixam-se hondurenhos

Bairros ricos e favelas dividem espaço entre as montanhas de Tegucigalpa. No centro, ao redor de uma praça, diante da catedral e perto do pequeno Parlamento de estilo modernista, ocorrem manifestações que, em geral, reúnem pouco mais de mil pessoas - tanto em favor do governo de facto como, no caso de ontem, em defesa do presidente deposto, Manuel Zelaya.Os manifestantes chegam entoando slogans comuns em atos esquerdistas. A diferença foi que ontem um dos organizadores pediu aplausos para o presidente dos EUA, Barack Obama, e para a rede de TV CNN. O nome do presidente venezuelano, Hugo Chávez, tem sido evitado nos protestos pró-Zelaya.Cantando o hino nacional, os manifestantes chamam militares e parlamentares de "golpistas", sob os olhares de soldados e policiais. Com o toque de recolher e muitas liberdades constitucionais restringidas, a vida em Tegucigalpa ocorre apenas durante a luz do dia. A imprensa se divide em duas. Parte - a maioria - apoia o governo de facto e evita mostrar imagens de Zelaya no exterior, como as de ontem, em entrevista no Panamá. Já os defensores do presidente deposto têm ar de revolucionários. Um radialista dizia ontem palavrões sem parar ao se referir a Roberto Micheletti, presidente de facto, e afirmava estar pronto para ser "morto, preso ou exilado" em defesa da democracia.Em uma favela da capital, os moradores reclamam que a crise já começou a trazer prejuízos financeiros. "Nosso país é muito pequeno. Passamos fome. Essa briga é das elites. Ninguém vai mudar nada. Pode ser Zelaya ou Micheletti, tudo continuará igual", disse José Alberto Jimenez, lavador de carros. Seu amigo, Reynaldo Salinas, afirma que, desde segunda-feira, seu faturamento diário caiu de 400 lempiras (US$ 20) para 70 (US$ 3,50). Jimmy Carolina vendia 50 porções de valiadas, um prato típico local, por dia. Agora, só vende 30. O fruteiro Mario Saravia conseguia 600 lempiras por dia (US$ 30). Agora, leva para a casa metade desse valor.No shopping Multiplaza, o movimento ontem era tranquilo. Segundo aliados de Zelaya, o governo busca mostrar que tudo está calmo. Mas nas ruas todos dizem ter medo do que pode ocorrer amanhã. Os dois lados prometem grandes manifestações no aeroporto para esperar Zelaya. Um dos lados diz que fará uma recepção para receber o "presidente". O outro lado pretende prender um "criminoso".Na cidade de San Pedro Sula, norte de Honduras, choques entre manifestantes pró-Zelaya e policiais deixaram ontem dois feridos. Pelo menos 78 pessoas foram detidas .

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