CRISE VENEZUELANA CHEGA AOS ANIMAIS

A escassez de alimentos e remédios na Venezuela não afeta apenas seres humanos. Animais de estimação, como cães e gatos, sofrem com a falta de ração e medicamentos veterinários desde que o governo do presidente Nicolás Maduro reduziu a oferta de dólares para a importação de produtos não essenciais pela iniciativa privada.

O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2015 | 02h02

A dona de casa Resolín González tem quatro cachorrinhas: Catira, Pelusa, Bianca e Berpi. As duas primeiras, de 15 anos, precisam de remédio para a tireoide e o coração. A exemplo de pacientes humanos, elas também não têm acesso ao medicamento. "Passo dias percorrendo farmácias e às vezes não consigo o remédio das minhas cachorras", disse Roselín.

O diretor da Associação das Indústrias de Saúde Animal da Venezuela, Germán Campos, diz que as estimativas de escassez do setor são bem maiores. Segundo ele, as 70 empresas que produzem e importam ração e remédios para cães, gatos, aves, bovinos, equinos e suínos não têm 66% de seus produtos disponíveis para venda.

"Os veterinários tentam receitar apenas os remédios que podem ser usados tanto em humanos quanto em animais", disse Campos.

O caminho inverso também ocorre. Segundo o presidente da Federação Médica da Venezuela, Douglas León Natera, muitos pacientes buscam remédios veterinários para substituir o que não encontram em farmácias. "As pessoas buscam antibióticos e pomadas em lojas para animais", disse.

O veterinário Manuel Caraballo, que cuida de animais de estimação há 36 anos, disse que a vacina tripla felina, por exemplo, ficou mais de um ano desaparecida no país. "Muitas clínicas pararam de fazer cirurgia porque não há anestesia nem material para sutura", afirmou. Ativistas dos direitos dos animais dizem que uma alternativa à escassez de remédios é a homeopatia.

Outro problema que afeta os bichos de estimação venezuelanos é a violência. Muitos animais são sequestrados e seus donos, chantageados. Foi o caso de Balú, um poodle que pertencia a Ana Elisa Osorio. "Pediram-me 1 milhão de bolívares (US$ 1,58 mil dólares no câmbio negro e US$ 158 mil no oficial) para tê-lo de volta. Ofereci 200 mil bolívares. O sequestrador riu de mim e eu nunca mais vi Balú." / AFP

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