Wilson Dias/Abr
Wilson Dias/Abr

Crises refletem inabilidade internacional, diz chanceler brasileiro

Mauro Vieira criticou intervenções realizadas sem a chancela da Organização das Nações Unidas (ONU) e defendeu a diplomacia como caminho para enfrentar a ameaça terrorista

Cláudia Trevisan Enviada especial, Nova York, O Estado de S. Paulo

30 Setembro 2015 | 16h55

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, disse nesta quarta-feira, 30, que as crises em que o Oriente Médio e o Norte da África estão mergulhados revelam a “inabilidade coletiva” da comunidade internacional em encontrar soluções para os conflitos. O chanceler criticou intervenções realizadas sem a chancela da Organização das Nações Unidas (ONU) e defendeu a diplomacia como caminho para enfrentar a ameaça terrorista.

“Nós vimos diversas vezes os efeitos negativos de driblar as regras e invocar direitos excepcionais para justificar intervenções militares”, declarou Vieira durante reunião do Conselho de Segurança da ONU convocada pela Rússia para discutir a situação no Oriente Médio e o combate ao terrorismo. “O Iraque e a Líbia são dois claros exemplos do fracasso de qualquer abordagem baseada no círculo vicioso de ameaças, sanções e violência.”

O Iraque foi invadido pelos Estados Unidos em 2003. Em 2011, a Líbia foi alvo de uma ação militar que, segundo diplomatas brasileiros, foi além do mandato dado por resolução do Conselho de Segurança da ONU. Depois da queda de Muammar Kaddafi, a coalização deixou o país sem cooperar com a transição para um novo governo, o que criou um vácuo no qual grupos extremistas prosperaram. 

O ministro aproveitou o debate sobre a tragédia que se desenrola na região para reiterar a demanda brasileira de reforma do Conselho de Segurança da ONU, no qual o Brasil gostaria de participar como membro permanente. Atualmente, esse grupo é formado por cinco países, que detêm poder de veto nas decisões da instituição: EUA, Rússia, China, França e Inglaterra.

“A efetividade e contínua autoridade do conselho requer que ele seja visto como legítimo e representativo”, observou. Segundo ele, um Conselho de Segurança ampliado permitiria que a instituição enfrentasse com mais eficácia os desafios apresentados por um mundo multipolar. “Nós não precisamos olhar além das situações mencionadas nesse debate para concluir quão urgente é essa tarefa.”

Como a maioria dos chanceleres que falou durante o encontro, Vieira defendeu a retomada imediata das negociações de paz entre Israel e Palestina, tendo por objetivo a criação de dois Estados soberanos na região. 

Segundo ele, o Conselho de Segurança deve aprender com “erros do passado” e privilegiar soluções negociadas. “O uso de sanções e força militar deve ser sempre o último recurso e, quando isso acontece, deve estar em linha com as provisões da Carta da ONU.” O ministro afirmou que o Brasil já emitiu vistos para 7.700 refugiados sírios e continuará a receber outros que fogem do conflito no país.

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