Cristã condenada no Paquistão tenta evitar sentença de morte

Uma cristã sentenciada à morte no Paquistão sob a acusação de blasfemar o Islã disse neste sábado que foi injustamente incriminada por vizinhos devido a uma briga pessoal e apelou ao presidente por perdão.

ZEESHAN HAIDER, REUTERS

20 de novembro de 2010 | 12h56

Asia Bibi, mãe de quarto filhos, é a primeira mulher sentenciada à morte com base em uma polêmica lei de blasfêmia no Paquistão, que grupos dos direitos humanos dizem ser frequentemente usada por extremistas ou pessoas comuns em rixas pessoais.

A agricultora, de 36 anos, foi presa pela polícia em junho deste ano e condenada por um tribunal, em 8 de novembro. Ela está presa desde então, com seu caso atraindo a atenção de imprensa internacional e apelos de grupos internacionais dos direitos humanos. De acordo com a imprensa paquistanesa, até o papa Bento 16 se envolveu.

"Eu disse à polícia que não cometi blasfêmia alguma e que essa é uma acusação infundada, mas eles não me escutam," afirmou Bibi a repórteres após um encontro com Salman Taseer, governador da província de Punjab, onde ela está detida.

"Eu tenho filhos pequenos. Fui injustamente sentenciada nesse caso falso," afirmou ela na prisão, coberta por uma manta que revelava apenas os seus olhos.

Taseer disse que vai apelar ao presidente Asif Ali Zardari, que tem o poder constitucional de perdoá-la.

"Oxalá o apelo dela seja aceito," afirmou Taseer, acrescentando que estudou o caso de Bibi e que ela não cometeu blasfêmia.

"Ela é uma cristã indefesa. Ela não pode ser defender legalmente, porque não tem recursos. Sentenciar minorias tão indefesas em casos desse tipo só ajuda a ridicularizar a Constituição do Paquistão," afirmou.

(Reportagem adicional de Augustine Anthony)

Tudo o que sabemos sobre:
PAQUISTAOBLASFEMIACASO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.