REUTERS/Adrees Latif
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Cristã paquistanesa condenada à morte por blasfêmia foi solta, diz advogado

Após Justiça determinar sua absolvição, no mês passado, protestos islâmicos organizados pelo partido TLP praticamente paralisaram o Paquistão por três dias

O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2018 | 20h34

ISLAMABAD - A cristã paquistanesa Asia Bibi foi libertada nesta quarta-feira, 7, da prisão na qual estava presa, uma semana depois que o Tribunal Supremo do Paquistão a absolveu do crime de blasfêmia pelo qual foi condenada à pena de morte.

"Asia já não está mais na prisão. Ela está em um avião, mas ninguém sabe onde vai aterrissar", informou à agência EFE o advogado da paquistanesa, Saiful Malook.

Horas antes, o ministro de Informação e Cultura do governo da Província do Punjab, Fayyaz ul Hassan Chohan, havia dito que a cristã continuava presa "por sua segurança".

O Supremo absolveu Asia Bibi no dia 31 de outubro da condenação, que havia sido imposta em primeira instância em 2010 e ratificada quatro anos depois pelo Tribunal Superior de Lahore (no leste do país). Com isso, a libertação foi ordenada.

Quase imediatamente ocorreram diversos protestos islâmicos organizados pelo partido Tehreek-e-Labbaik Paquistão (TLP), que praticamente paralisaram o Paquistão durante três dias.

No dia 2 de novembro, o governo do primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, chegou a um acordo com o TLP, com o qual se comprometeu a deixar o caminho livre para que os islâmicos pedissem à Justiça que proibisse Asia Bibi de sair do país, enquanto o Supremo estuda um recurso contra a absolvição.

Enquanto isso, a família da cristã pediu ajuda em dois vídeos a Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e Itália para que concedam asilo por motivos de segurança.

Após vários dias de silêncio por parte da comunidade internacional, o ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, afirmou na terça-feira que ajudaria Asia a deixar o Paquistão com a ajuda de outros países europeus.

O advogado da cristã saiu do Paquistão durante o fim de semana e, em entrevista coletiva em Haia, alertou sobre as "ameaças à vida" da cliente. Segundo ele, Bibi fugiu para a Holanda porque se tornou "alvo principal" dos radicais islâmicos no país.

A dura lei antiblasfêmia paquistanesa foi estabelecida na época colonial britânica para evitar confrontos religiosos, mas nos anos 80 várias reformas impulsionadas pelo então ditador Mohammed Zia-ul-Haq favoreceram os abusos da norma. / EFE

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