Cristãos em pé de guerra com republicano

Grupo católico viaja pelos EUA para explicar as desvantagens da proposta orçamentária de Ryan

O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2012 | 03h06

Durante 15 dias, Simone Campbell liderou um grupo de freiras em um giro de ônibus por 31 cidades de nove Estados americanos para mobilizar a população contra a proposta de orçamento para 2013 do deputado Paul Ryan. Ao concluir a jornada de fé, no mês passado, ela não tinha a menor ideia que Ryan fosse ser o indicado para vice da chapa de Mitt Romney na corrida à Casa Branca.

"Nunca me passou pela cabeça a hipótese de Ryan ser o candidato a vice-presidente", disse Simone ao Estado, seguidora da ordem das Irmãs do Serviço Social e atual diretora da Network, grupo de lobby em favor de políticas públicas para a redução da pobreza nos EUA.

Ela não tem partido, mas já recebeu a simpatia do presidente Barack Obama, que enviou à Network uma mensagem de felicitações por seu aniversário, em março. A entidade estuda a proposta de Ryan há dois anos, e teme vê-la aprovada. Seus termos permitiriam o corte de 62% nos gastos federais com programas sociais, especialmente para os pobres.

A ideia de percorrer 4,3 mil quilômetros para explicar aos americanos as consequências da proposta nasceu como reação ao fato de o Vaticano ter incluído a Network na sua lista de organizações católicas "problemáticas". A entidade, segundo Roma, foca muito na questão da pobreza e não dá a devida atenção ao combate ao aborto e ao casamento entre homossexuais.

O orçamento proposto por Ryan é considerado polêmico até entre os republicanos, mas tem o apoio dos mais conservadores. Dias depois de retornar da viagem de ônibus, Simone teve a chance de conversar com Ryan. "A cada observação minha, ele me pedia estatísticas. Não pudemos fazer mais do que concordar em discordar."

A bancada católica tem 26% dos congressistas, bem acima da proporção da religião com relação à população (19,6%). No entanto, como explicou Simone, há os católicos republicanos e os democratas. E há os católicos defensores dos direitos individuais e os em linha com o direito social.

/ D.C.M.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.