Cristãos protestam por Israel construir mesquita em Nazaré

A construção de uma nova mesquita diante do santuário da Anunciação em Nazaré, por ordem do governo israelense, pode provocar "efeitos destrutivos" no diálogo judaico-cristão, advertiram hoje líderes cristãos católicos, ortodoxos e protestantes. Em uma nota qualificada como "duro protesto" dos bispos e patriarcas pela Fides, agência noticiosa do Vaticano, os líderes cristãos acusam Israel de abusar de sua autoridade para manipular os sentimentos religiosos e semear divisões entre cristãos e muçulmanos. No documento, os cristãos da Terra Santa pedem que a comunidade internacional estenda as garantias da ONU não apenas a Jerusalém, mas a todos os lugares considerados Santos. A cidade de Nazaré está sob jurisdição israelense. Pela enésima vez, os 12 bispos e patriarcas que assinam o documento - entre os quais Michel Sabbah, patriarca latino; Irenios I, patriarca greco-ortodoxo; e o bispo da igreja luterana Mounib Youan - pedem a revogação imediata da decisão do governo israelense. "Este projeto do governo (de Israel) contradiz o plano original, feito pelo prefeito de Nazaré, Tawfiq Zayad, para embelezar a cidade por ocasião do Jubileu de 2000. Este plano destinava o terreno a uma praça pública, lugar de encontro para habitantes cristãos e muçulmanos e para os peregrinos, facilitando seu acesso ao santuário (da Anunciação). Pedimos ao governo que respeite e realize este plano". À construção da mesquita, lembram os signatários da nota, também não tem o apoio dos líderes religiosos muçulmanos. O texto do comunicado adverte que "o plano do governo é um plano doentio de alguns círculos políticos israelenses, que exploram grupos muçulmanos para semear as divisões entre cristãos e muçulmanos em Israel e entre os próprios muçulmanos". "Se as autoridades de Israel abusam de seus poderes governamentais para manipular os sentimentos religiosos, para dividir a população, criar conflitos e fomentar o fundamentalismo intolerante, então não podem pretender que haja confiança em que respeitarão os lugares Santos sob sua jurisdição pertencentes a cada religião", adverte a nota. Os signatários lembram que "a Assembléia Geral da ONU, com a resolução 181 de 29 de novembro de 1947, previu garantias internacionais para todos os lugares Santos na região". "O caso atual prova que estas garantias são hoje mais necessárias do que nunca".

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