Cristina acelera lei para controlar papel-jornal

Presidente argentina baixa decreto para convocar sessão extraordinária do Congresso e declarar 'de interesse público' a fábrica Papel Prensa

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2011 | 03h08

A presidente argentina, Cristina Kirchner, baixou ontem um decreto com o qual convoca o Congresso Nacional a realizar sessões extraordinárias para debater e votar uma série de projetos de lei - incluindo a declaração de "interesse público" da produção, comercialização e distribuição de papel-jornal em toda a Argentina.

No decreto, Cristina determinou que esse projeto - entre outros - seja votado no plenário da Câmara de Deputados e no Senado no máximo até o dia 30.

O projeto é um golpe direto aos dois maiores jornais do país, o Clarín e o La Nación, ambos de posições críticas em relação ao governo. Alguns setores da oposição - principalmente os partidos de centro e centro-direita - afirmam que o projeto de Cristina não passa de uma "estatização disfarçada" da única fábrica de papel-jornal do país.

A empresa Papel Prensa é controlada pelo Grupo Clarín (49% das ações), o La Nación (22%) e o próprio Estado argentino (27,5%), além de outros sócios minoritários. Caso o projeto seja aprovado, Clarín e La Nación serão forçados a vender suas ações, já que as novas normas proíbem que empresas de jornais impressos possam ter ações na Papel Prensa.

"Claramente, é um projeto com intenção política. Apesar do impacto que isso pode ter, o governo pretende votar a medida às pressas, antes do fim do ano, com um Parlamento novo, que tomou posse há poucos dias. Além disso, nenhum meio de comunicação foi convocado pelas comissões parlamentares para expressar sua opinião sobre o caso", disseram dirigentes do Clarín. "É um confisco disfarçado", afirmaram as fontes, ressaltando que o projeto tem como objetivo favorecer meios de comunicação aliados do governo.

O impedimento para que pessoas que tenham mais de 10% de ações de uma empresa de jornal impresso participem da Papel Prensa também abre o caminho para que os novos acionistas sejam empresários de outros setores.

Analistas afirmam que donos de empreiteiras, com boa relação com o governo Kirchner, já estão de olho na Papel Prensa.

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