Cristina acusa imprensa de disparar 'balas de tinta'

Presidente argentina diz que é vítima de 'fuzilamento midiático' e acusa mídia de derrubar governos populares

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h04

A presidente argentina, Cristina Kirchner, voltou a criticar ontem os jornais críticos ao seu governo, afirmando que os veículos de imprensa "disparam balas de tinta" contra ela.

Durante um discurso na inauguração de uma exposição industrial, Cristina afirmou que o fundador de seu partido, o Justicialista (Peronista), o presidente Juan Domingo Perón, foi derrubado em 1955 por "balas de chumbo", em referência aos golpes militares. A presidente disse que os "governos populares" são alvo de tentativas "de destituição" por parte dos meios de comunicação

Sem citar veículos específicos, a presidente disse que tratam-se de "setores minúsculos, mas poderosos em seu poder de difusão". Cristina também sustentou que os jornalistas críticos "ameaçam disparar na cabeça (do governo) quando existe um projeto que privilegia os interesses populares".

Nos últimos anos, a presidente Cristina sempre afirmou que era vítima de um "fuzilamento midiático". Além disso, desde 2008, acusa a imprensa não alinhada de tentar "um golpe cívico midiático".

O principal foco das críticas de Cristina é o Grupo Clarín, principal holding multimídia da Argentina, que o governo tenta desmontar desde 2009 com a Lei de Mídia, que restringe a abrangência dos canais de TV no país. De lá para cá, Cristina aprovou uma legislação que lhe concede o controle do papel-jornal. Além disso, o governo distribui a maior parte da publicidade oficial aos meios de comunicação que não criticam a Casa Rosada.

A ofensiva contra a mídia também contou com o respaldo dos aliados do casal Kirchner, entre eles as Mães da Praça de Maio, que, em 2009, fizeram tribunais "populares" em praça pública contra jornalistas que teriam apoiado a ditadura militar (1976-83).

Em 2010, o então ministro da Economia, Amado Boudou, atualmente vice-presidente, irritado com a divulgação das negociações sigilosas que a Argentina fazia com o FMI, comparou dois jornalistas do Clarín e do La Nación com as pessoas que "limpavam as câmaras de gás do nazismo". As declarações, além de gerar o repúdio das associações de defesa da liberdade de expressão, também causaram mal-estar na comunidade judaica.

Cristina é criticada pela oposição por recorrer com extrema frequência à rede nacional de TV. No ano passado, a presidente defendeu o uso desse mecanismo, alegando que é "a única forma de a população saber sobre as medidas do governo". Em resposta às críticas, Cristina começou a chamar o único canal de TV crítico ao governo Kirchner, o Trece, de "rede nacional do medo e do desânimo".

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