Cristina ameaça fábrica de papel para atingir jornais

'Clarín' e 'La Nación' acusam governo de tentar anular compra da Papel Prensa para [br]controlar a imprensa

EFE, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2010 | 00h00

BUENOS AIRES

Os dois principais jornais argentinos, Clarín e La Nación, denunciaram ontem uma ofensiva da presidente Cristina Kirchner contra a imprensa local. O novo alvo do governo seria a Papel Prensa, maior produtora de papel para jornal da Argentina. O governo apresentará amanhã um relatório de 400 páginas que mostrará supostas ligações entre os dois jornais e a ditadura, nos anos 70.

A Papel Prensa, que abastece cerca de 170 jornais de todo o país, foi fundada em 1972. Hoje, ela é controlada pelo Grupo Clarín, pelo La Nación e pelo Estado argentino. O controle acionário foi determinado após uma operação de venda realizada durante a ditadura militar. De acordo com a Casa Rosada, os dois maiores jornais do país compraram as ações depois que os antigos proprietários da empresa foram torturados, por isso a venda seria ilegal.

Os antigos donos da Papel Prensa, na época, foram de fato torturados, mas depois da operação de venda, alegam o Clarín e o La Nación. "O governo pretende tomar posse dos ativos e controlar a empresa, conduzir a produção de papel para impressão de jornais e submeter, assim, o jornalismo independente até levá-lo a uma convivência dócil com o poder", disse ontem o Clarín, em editorial.

Em sua maior parte, por questão de custo, os maiores jornais argentinos têm optado por utilizar papel importado. Mas, para muitas organizações de defesa da liberdade de expressão, o ataque à Papel Prensa pode ser o passo prévio de uma ação do Estado para intervir nas operações de importação do produto.

De acordo com muitos analistas do setor, a Casa Rosada poderia impor uma tarifa na importação de papel e, ao mesmo tempo, controlar a maior fornecedora do produto no país, deixando os jornais argentinos nas mãos do governo.

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