Cristina anuncia medidas para tentar agradar à classe média

Redução de impostos encabeça ofensiva, vista como contraponto à alta de tarifas públicas

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

A presidente Cristina Kirchner deve anunciar na semana que vem uma série de medidas tributárias para tentar reconciliar-se com a classe média, que nos últimos meses protagonizou vários panelaços contra o governo. Entre as medidas está a redução de impostos e o estímulo ao consumo, em queda por causa da escalada da inflação - que, segundo economistas independentes, chegaria a 30% em dezembro. Analistas, porém, dizem que as medidas servirão para compensar os efeitos da alta das tarifas de serviços públicos. O ministro do Planejamento, Julio De Vido, anunciou na terça-feira o aumento de até 30% da energia elétrica, que atingirá 1 milhão de famílias que consomem mais de 650 quilowatts por bimestre - cerca de 4 milhões de lares ficarão de fora dos aumentos. O aumento também atingirá a indústria e o comércio, cuja conta de luz ficará 10% mais cara. Assim, o governo espera diminuir a pressão sobre as empresas privatizadas, que desde 2002 estavam proibidas de aumentar as tarifas.Em razão do aumento, segundo De Vido, os subsídios aos setor energético vão acabar, o que renderia uma economia ao Estado de US$ 2 bilhões, que serão investidos pelo governo no próprio setor energético nos próximos dez anos.De acordo com estimativas de consultorias de Buenos Aires, as novas idéias tributárias que o governo de Cristina deve anunciar na semana que vem implicariam em custos de mais de US$ 2 bilhões aos cofres públicos em 2009. Os economistas divergem, porém, a respeito do efeito que esse pacote de medidas teria na inflação.REBELDESEnquanto isso, a popularidade de Cristina continua em queda livre. Segundo diversas pesquisas recentes, a aprovação da presidente despencou da faixa de 56%, em janeiro, para menos de 20%, no início de julho. Nunca antes um presidente argentino registrou uma queda tão grande nos primeiros meses de seu governo.Entre março e junho, a classe média de várias cidades do país realizou pelo menos uma dúzia de grandes panelaços contra Cristina, a maioria reclamando da volta da inflação e dos escândalos de corrupção que envolvem integrantes do gabinete presidencial. No primeiro semestre, a classe média tornou-se uma inesperada aliada de outro setor em confronto com a presidente: os ruralistas, que realizaram quatro locautes contra o governo. Os protestos ruralistas paralisaram o país durante quatro meses. Além disso, por meio dos partidos oposicionistas, os ruralistas impingiram a Cristina a maior derrota política de seu governo, ao derrubar no Senado o projeto da presidente de criação de impostos para o setor agrário.

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