Henry Romero/Reuters-30/5/2011
Henry Romero/Reuters-30/5/2011

Cristina chama premiê britânico de 'estúpido'

Dias antes de lançar candidatura à reeleição, presidente argentina retoma discurso em defesa da soberania sobre as Malvinas

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2011 | 00h00

A poucos dias de lançar sua candidatura à reeleição, a presidente Cristina Kirchner retomou a ofensiva diplomática para reaver as Ilhas Malvinas, controladas pela Grã-Bretanha desde 1833. Cristina definiu Londres como uma "tosca potência colonial em decadência" e afirmou que as declarações recentes do primeiro-ministro britânico, David Cameron, são "arrogantes, medíocres e quase uma estupidez".

As reivindicações argentinas sobre as Malvinas intensificam-se em períodos eleitorais. No entanto, desta vez, elas foram agravadas pelas declarações de Cameron. "Enquanto as Falklands (denominação britânica para as Malvinas) quiserem permanecer como território soberano britânico, devem continuar sendo. Ponto. Fim da história", disse o premiê na quarta-feira

No início da semana, antes das declarações de Cameron, Cristina havia pressionado o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante visita a Buenos Aires, para que a organização tenha um papel mais ativo nas negociações entre britânicos e argentinos. Para agradar ao coreano, durante o encontro, Cristina deixou claro que respalda sua reeleição para um segundo mandato na chefia da ONU.

Ontem, o porta-voz da diplomacia britânica, Nicholas Duvivier, afirmou que as negociações sobre a soberania das Malvinas "só ocorrerão se a população local quiser".

No entanto, os kelpers - denominação dos habitantes das Malvinas - rejeitam um eventual controle argentino do arquipélago. Eles tampouco poupam críticas a Cristina, a quem chamam de "velha com cara de plástico", em alusão às supostas cirurgias plásticas e às aplicações de botox da presidente argentina.

Em 2009, entrou em vigor uma nova Constituição das Malvinas, que reforça a autonomia local. A nova Carta tira o sono do governo argentino, que teme que os kelpers avancem na direção da independência total do arquipélago.

Atualmente, as ilhas possuem o status de "território ultramarino" da Grã-Bretanha. Nos últimos anos, as prospecções de petróleo na região entusiasmaram os habitantes locais a debater uma eventual separação dos britânicos. Caso isso ocorra, as reivindicações argentinas perderiam respaldo na ONU.

A Argentina e a Grã-Bretanha mantiveram discussões na organização sobre a soberania do arquipélago nos anos 60 e 70. As negociações foram suspensas pelos britânicos quando as tropas do ditador argentino Leopoldo Galtieri (que governou por seis meses, entre 1981 e 1982) tomaram as ilhas durante os dois meses e meio da Guerra das Malvinas. Em 2010, o governo Kirchner conseguiu o respaldo da União das Nações Sul-americanas (Unasul) para a reivindicação das ilhas. Além disso, em todas as cúpulas semestrais do Mercosul, o bloco repete o apoio à Argentina na disputa.

Sandy Woodward, comandante da frota naval que protagonizou a recuperação britânica do arquipélago, em 1982, afirmou que os cortes orçamentários das Forças Armadas da Grã-Bretanha deixam Londres em situação difícil para defender a região. "As Malvinas parecem estar indefensáveis", alertou o militar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.