Enrique Marcarian/Reuters
Enrique Marcarian/Reuters

Cristina critica declaração de Cameron sobre Malvinas

Presidente acusou primeiro-ministro do Reino Unido de retratar a Argentina como 'violenta'

Agência Estado

26 de janeiro de 2012 | 01h59

BUENOS AIRES - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, acusou o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, de retratar a Argentina como "violenta" na disputa pelas Ilhas Malvinas (Falkland Islands, para os ingleses).

Kirchner, que acaba de voltar ao trabalho após um período de licença médica, mergulhou em uma das disputas mais sensíveis e longas de seu país, sobre as ilhas no Atlântico Sul, as quais o Reino Unido ocupa desde 1833, mas que Buenos Aires as considera como suas.

"Eles estão tentando nos classificar como bandidos ou indivíduos violentos e isso não é realmente o que somos", disse Cristina a um auditório lotado, em um longo discurso após 20 dias de licença médica em razão de uma cirurgia na tireoide. Cameron acusou a Argentina de praticar uma "atitude colonialista", o que enfureceu os argentinos.

Os manifestantes já haviam marchado até a embaixada do Reino Unido em Buenos Aires, na sexta-feira, queimando bandeiras da Grã-Bretanha, e exigindo pressão diplomática sobre Londres.

"O Comitê das Nações Unidas sobre Descolonização tem 16 casos abertos em lugares que permanecem colônias, dos quais, dez são colônias britânicas. O mais conhecido deles é o que se refere às nossas amadas Ilhas Malvinas", destacou Cristina.

Ela disse que continuará usando a democracia para tentar trazer de volta o comando das ilhas a Buenos Aires. "Nossas forças armadas só participam de missões de paz. E isto é uma decisão política de um governo democrático desde 1983", frisou ela. Novas tensões vieram à tona meses antes do 30º aniversário da breve, mas sangrenta guerra entre os dois países envolvendo o domínio das ilhas.

A guerra de 74 dias começou em 2 de abril de 1982 e matou 649 argentinos, além de 255 soldados do Reino Unido. A tensão entre os dois países se acentuou a partir de 2010, quando Londres autorizou a prospecção de petróleo ao redor das ilhas, com uma população de cerca de 3.000 pessoas. As Ilhas Malvinas estão distantes da Argentina cerca de 400 milhas náuticas (cerca de 740 Km).

 

As informações são da Dow Jones.

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