Cristina critica política de Obama para América Latina

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, criticou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre sua política para a América Latina. "Obama não cumpriu as expectativas na região (...) há uma sensação de oportunidade perdida, embora ninguém tenha esperado um príncipe em um corcel branco", disparou Cristina em entrevista à CNN, concedida durante a cúpula dos presidentes latinos em Cancún, no México. Cristina também revelou que esperava de Obama "um realismo sério, com atenção às necessidades reais da América Latina. Uma realpolitik".

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

25 de fevereiro de 2010 | 18h03

A presidente argentina avaliou ainda a atitude do governo norte-americano no episódio do golpe de Estado em Honduras. "O erro dos Estados Unidos foi não ter tido uma postura mais firme. Com outra postura, teria havido outro resultado", opinou. Cristina não poupou comentários ácidos e duros. "Quando escutamos o discurso de investidura de Obama, houve descomunais ilusões de mudanças nos EUA e no mundo. Ilusões muito grandes. Mas o que ocorreu em Honduras foi um golpe muito forte a essas expectativas", observou.

Para Cristina, o "erro" norte-americano é fruto de "falências da administração anterior e de outros interesses" daquele País.

Malvinas

Na entrevista transmitida hoje, a presidente argentina também falou sobre a disputa territorial com o Reino Unido pelas Ilhas Malvinas. "Hoje, não temos somente o tema da soberania, mas também o roubo dos recursos naturais não renováveis", denunciou. Cristina insistiu na acusação de violação de 10 resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU), que instam a negociação com a Argentina. "Inglaterra se nega, sistematicamente, a discuti-las", reclamou.

"Não há razões jurídicas nem geográficas para sustentar a ocupação das Malvinas (pelos ingleses)", argumentou Cristina, descartando uma possibilidade de guerra entre os dois países. "Nós não estamos no Iraque nem no Afeganistão nem queremos estar. Só estamos em missões no Chipre e Haiti. Ou seja, temos uma vocação antibelicista. E nos negaremos a levar tropas onde há invasões", provocou.

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