Cristina defende lei que dite ética para jornalistas

Durante um discurso em rede nacional de TV transmitido na quinta-feira, a presidente argentina, Cristina Kirchner, afirmou que deseja a criação de uma lei de ética jornalística. Na sequência, sem citar nomes, acusou jornalistas de receberem dinheiro de empresas privadas para publicar notícias favoráveis a elas.

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE/BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2012 | 03h02

Segundo a presidente, quando a petrolífera YPF foi expropriada e sofreu intervenção federal - o que a retirou do controle da multinacional espanhola Repsol -, os novos funcionários colocados pelo governo Kirchner encontraram na empresa registros de remunerações a jornalistas.

"Encontramos documentos na YPF com pagamentos de US$ 2,22 milhões a jornalistas e outros US$ 6,6 milhões de publicidade encoberta", afirmou. Apesar das declarações de Cristina, o governo não encaminhou nenhuma denúncia à Justiça.

Cristina declarou que há em seu país uma campanha para prejudicar a imagem da empresa petrolífera estatal e, por isso, é "imprescindível" uma norma de "ética pública' para a imprensa argentina. "O quarto poder deveria publicar quais empresas pagam (os jornais) para que, quando lermos um artigo, saibamos quais são", disse.

A presidente, porém, afirmou que não encaminhará um projeto de lei sobre o assunto ao Congresso, já que espera que alguma ONG ou entidade de jornalistas apresente essa ideia formalmente. "Se eu apresento um projeto assim ou se algum político o apresenta, vocês sabem o que vão dizer desse político: que ele quer colocar uma mordaça na imprensa", disse.

O repórter investigativo Daniel Santoro, do jornal Clarín e membro do Foro de Jornalismo Argentino (Fopea, na sigla em espanhol), lembrou que o ex-presidente Carlos Menem quis implementar uma lei similar quando, no começo dos anos 90, os jornais argentinos investigavam casos de corrupção de seu governo.

As críticas do governo Kirchner à imprensa aumentaram desde que novas denúncias sobre casos de corrupção da Casa Rosada foram publicadas. Cristina mantém uma relação tensa com a imprensa. A presidente não costuma conceder entrevistas coletivas. Seus ministros e secretários evitam os jornalistas. Em várias ocasiões, ela já afirmou ser "vítima de um fuzilamento midiático".

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