Marcos Brindicci / Reuters
Marcos Brindicci / Reuters

Cristina diz estar convencida de que promotor não se matou

Presidente argentina escreveu carta afirmando que Alberto Nisman foi enganado para denunciar envolvimento do governo no caso Amia

O Estado de S. Paulo

22 de janeiro de 2015 | 10h20


BUENOS AIRES - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, afirmou nesta quinta-feira, 22, que está "convencida" de que a morte do promotor Alberto Nisman "não foi um suicídio", afirmando que ele foi vítimas de "uma grande conspiração". 

Em uma nova carta publicada em seu blog, Cristina diz que, após ter lido a denúncia contra ela, publicada pela Justiça do país, chegou à conclusão de que foram "plantadas pistas falsas para Nisman" dentro de uma "operação contra o governo".

"Por que alguém iria se suicidar sendo promotor e tendo, ele e sua família, uma excelente qualidade de vida?", escreveu a presidente, que continua sem aparecer em público.

Nisman foi encontrado morto em sua casa com um tiro na cabeça horas antes da audiência no Congresso, onde daria detalhes sobre a denúncia que tinha apresentado contra a presidente por suposto acobertamento de iranianos autores do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) em 1994.

Autoridades argentinas negaram veementemente as acusações de Nisman. Jorge Capitanich, chefe de gabinete da presidente, chamou as alegações de "ultrajantes, ilógicas e irracionais", e disse que Cristina sempre demonstrou compromisso em resolver o caso.

Na quarta-feira, o governo disse que Nisman havia sido enganado por um ex-agente de inteligência enquanto preparava sua denúncia. A acusação contra Cristina teria sido incentivada por agentes dispensados dos serviços de inteligência, que também podem estar envolvidos na morte do promotor.

"A denúncia de Nisma nunca foi a operação contra o governo. Nisman provavelmente não soube. A verdadeira operação contra o governo era a morte do promotor após acusar a presidente, seu chanceler e o secretário-geral de La Cámpora de acobertarem os iranianos acusados pelo atentado terrorista da Amia", afirmou Cristina.

"Por que ele iria se suicidar se não sabia que a informação que estava na denúncia era falsa? Essas respostas certamente poderão dar aqueles que o convenceram de que ele tinha em suas mãos a 'denúncia do século' dando a ele dados falsos", acrescentou Cristina na carta.

A presidente acrescenta ainda mais dúvidas ao caso, ao lembrar que o promotor tinha duas armas registradas em seu nome e não precisaria se matar usando a arma de outra pessoa. Investigadores disseram que a arma encontrada no apartamento era de um funcionário e colaborador de Nisman, que a teria pedido emprestado no sábado. "Por que se permitiu o acesso à casa de Nisman de um médico privado de uma obra social antes de o juiz, os superiores e os legistas saberem da morte?", completou.

No fim da carta, Cristina afirma que outros casos de suicídios sem esclarecimentos citados pela imprensa argentina não podem ser comparados ao caso Nisman. "Todos os casos mencionados se referem a questões de corrupção e dinheiro. O caso Amia é outra coisa. É o maior atentado terrorista que nosso país sofreu e custou a vida de 85 argentinos. As vítimas e seus parentes esperam justiça há 21 anos e é justamente a partir daí, do poder judicial, único encarregado de investigar, acusar, julgar e condenar os responsáveis pela tragédia, que se pode cumprir a demanda permanente por Verdade e Justiça." /AP e EFE

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