Agustin Marcarian/Reuters
Agustin Marcarian/Reuters

Cristina diz que julgamento contra ela é ‘cortina de fumaça’ para crise econômica

A ex-presidente, que ocupa o cargo de senadora desde 2017, é acusada de formação de quadrilha durante seu mandato e de fraude contra o Estado por supostas irregularidades na concessão de obras na Província de Santa Cruz

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2019 | 21h50

BUENOS AIRES - A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner afirmou que o julgamento contra ela, que começou nesta terça-feira, 21, por suspeita de corrupção, é um “novo ato de perseguição” que busca criar uma “cortina de fumaça” para “desviar a atenção” da crise econômica do país. 

Cristina, que ocupa o cargo de senadora desde 2017, é acusada de formação de quadrilha durante seu mandato e de fraude contra o Estado por supostas irregularidades na concessão de obras na Província de Santa Cruz para o empresário Lázaro Báez – preso desde 2016 – no valor de US$ 1 bilhão. Ela nega todas as acusações

O primeiro dia do julgamento da ex-presidente foi concluído após a leitura de acusações e será retomado na próxima segunda-feira.

Pouco depois das 15h (horário local e em Brasília), Cristina deixou a sede do tribunal federal de Buenos Aires em meio ao apoio de simpatizantes que a aguardavam do lado de fora nas três horas em que durou a audiência, marcada também por um forte esquema de segurança.

Antes da audiência, Cristina Kirchner usa redes sociais para se defender de acusações

Além da senadora e o advogado Carlos Beraldi, estiveram presentes ao julgamento o empresário Lázaro Báez, o ex-ministro de Planejamento Julio de Vido e o ex-secretário de Obras Públicas José López, entre outros envolvidos no caso.

O Ministério Público Federal apontou que tanto Cristina como seu marido e antecessor na presidência, Néstor Kirchner, morto em 2010, foram "chefes" de uma "associação criminosa" destinada a se apoderar "de milionários recursos públicos".

'Associação criminosa'

Na leitura de acusações, foi ressaltado que no processo é investigada a suposta "divisão de papéis definidos e estratégicos" dentro e fora da estrutura do Estado e sustentado "ininterruptamente" ao longo mais de 12 anos, visando "múltiplos crimes" com o fim de "subtrair e depois se apoderar ilegítimamente e de forma deliberada de milionários recursos públicos".

"Essa associação criminosa funcionou de forma estável e permanente dentro da estrutura administrativa estatal e por meio da instauração de uma engenharia societária criada e ampliada para os fins procurados", leu o secretário do tribunal ao começo da audiência.

Embora a ex-presidente não tenha falado publicamente, de manhã, no Twitter, ela disse que o julgamento - que deve durar um ano, com 13 acusados e mais de 160 testemunhas - é um "novo ato de perseguição" com o qual se busca montar uma "cortina de fumaça" em meio à crise econômica do país, e negou as acusações.

"Claramente não se trata de fazer justiça. Só de armar uma nova cortina de fumaça que pretende distrair os argentinos e as argentinas - cada vez com menos sucesso - da dramática situação vivida por nosso país e nosso povo", afirmou.

Como espectadores no tribunal e em apoio a Cristina, estavam presentes a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, as mães da Praça de Maio Taty Almeida e Hebe de Bonafini e o sindicalista Hugo Yasky. / EFE

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