Cristina é acusada de ocultar dados de crimes

Rival político da presidente argentina, prefeito de Buenos Aires cria órgão para divulgar estatísticas independentes sobre criminalidade

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h06

O governo da cidade de Buenos Aires inaugurou ontem o Observatório Metropolitano de Segurança Pública, organismo encarregado de elaborar estatísticas sobre crimes ocorridos na Capital Federal. O prefeito portenho, Mauricio Macri, líder do partido Proposta Republicana (Pro), de centro-direita, decidiu criar uma entidade que produza seus índices, já que o governo da presidente Cristina Kirchner não difunde dados oficiais.

No Ministério da Justiça, os últimos dados divulgados são de 2009 e não incluem os homicídios na Província de Buenos Aires, que concentra 40% da população argentina, além de contar com alguns dos municípios mais violentos. A Corte Suprema de Justiça também elaborava dados próprios sobre a criminalidade no país. No entanto, não os atualiza desde 2010.

O índice da cidade de Buenos Aires será elaborado com base em dados de ONGs, da Justiça, estatísticas de universidades e da força de segurança municipal. Segundo o secretário de segurança portenho, Guillermo Montenegro, o público terá acesso às informações. "Essas estatísticas servirão para tomar decisões para definir as políticas públicas de segurança", disse.

Diversas pesquisas de opinião pública indicam que a maior preocupação dos portenhos, nos últimos anos, é o crescimento da criminalidade na capital do país. Segundo um relatório da Universidade Católica Argentina (UCA), entre 2004 e 2011, a proporção de portenhos que consideram que a falta de segurança está aumentando passou de 68,4% a 82,2% dos entrevistados.

Na opinião da ministra da Segurança, Nilda Garré, a percepção do aumento dos delitos é "culpa da imprensa". Há uma semana a ministra sustentou que os crimes em Buenos Aires registraram uma queda em relação ao ano passado.

Garré - que coloca Buenos Aires entre as cidades mais seguras da América do Sul - não quis fornecer os números que comprovariam uma redução da criminalidade. Em julho, a ministra afirmou que Macri "dramatiza" sobre a criminalidade.

Segundo Garré, o prefeito da capital argentina, potencial candidato à presidência, tem um "problema psicológico". O chefe do gabinete de ministros, Juan Abal Medina, sustenta que a difusão de notícias sobre crimes "é uma estratégia da direita".

Conspiração. Apesar das declarações do governo Kirchner, os índices elaborados pelo governo federal são vistos com desconfiança pela opinião pública. Boa parte dos argentinos tampouco confia nos dados oficiais sobre inflação, pobreza, entre outros.

O promotor Luis Comparatore determinou uma investigação preliminar para verificar se a escalada de crimes ocorridos nas últimas semanas na capital argentina deve-se a "um objetivo de desestabilização da segurança pública".

O pedido do promotor também inclui uma denúncia sobre o uso dos panelaços feitos recentemente em protesto contra o governo para "desestabilizar" a presidente Cristina Kirchner. Integrantes do governo sustentam que os panelaços não foram espontâneos, mas sim promovidos por grupos políticos e empresariais que pretendem "destituir" Cristina.

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