Cristina e Cameron batem boca no G-20

Premiê britânico diz a presidente argentina que não queria falar sobre Malvinas, mas ela deveria respeitar o referendo dos kelpers

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h08

A disputa entre Grã-Bretanha e Argentina pela soberania das Ilhas Malvinas interrompeu ontem a segunda sessão plenária do Grupo dos 20 (G-20), em Los Cabos, no México. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e a presidente argentina, Cristina Kirchner, foram protagonistas de um bate-boca sobre o assunto, segundo relatou o porta-voz da Casa Rosada, Alfredo Scoccimarro, em entrevista a jornalistas argentinos que trabalham na cobertura da reunião.

"O primeiro-ministro britânico aproximou-se da bancada da presidente, para agradecer o apoio à criação de um banco central europeu que atue como provedor de crédito de última instância, para dissipar temores pelo euro", disse o porta-voz.

Cristina respondeu, conforme relato do porta-voz, que o que ele tinha visto nas manchetes dos principais jornais internacionais e a informação que estava circulando não eram reflexo fiel do que estava ocorrendo na cúpula do G-20.

Inesperadamente, segundo Scoccimarro, Cameron a interrompeu e exigiu respeito ao resultado do referendo que os kelpers (habitantes das ilhas) realizarão em 2013 sobre o status do arquipélago.

"A presidente, que justamente tinha um envelope com os papéis de todas as resoluções das Nações Unidas sobre a questão das Malvinas, disse que queria lhe entregar o documento, porque o que realmente deveria se respeitar são as 40 resoluções das Nações Unidas e de seu Comitê de Descolonização", detalhou o porta-voz.

Cameron respondeu que não falaria de soberania e Cristina contestou que "tampouco pretendia falar sobre o tema" e "só queria entregar em mãos o envelope". Sempre de acordo com o porta-voz, Cameron pegou o envelope e voltou à bancada.

O chanceler argentino, Héctor Timerman, afirmou que a situação evidencia que "o aumento do apoio que a posição argentina tem tido no mundo está pesando no governo britânico". "É a primeira vez que esse diálogo ocorre e Londres se vê obrigado a responder publicamente (sobre o tema)". / MARINA GUIMARÃES / AE

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