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CARLO ALLEGRI|REUTERS-29|09|2015
CARLO ALLEGRI|REUTERS-29|09|2015

Cristina é chamada a depor em causa sobre corrupção em obras

É o primeiro caso de corrupção em que a ex-presidente da Argentina é intimada a se defender

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2016 | 20h14

A ex-presidente argentina Cristina Kirchner foi convocada nesta segunda-feira, 12, pela Justiça a depor numa causa que investiga um sistema de favorecimento com concessões ao empreiteiro Lázaro Báez, preso desde abril. É o primeiro caso de corrupção em que ela é chamada a se defender, em audiência marcada para 20 de outubro.

Na primeira vez em que o Ministério Público fez o pedido ao juiz Julián Ercolini, há um mês, o magistrado solicitou mais indícios. Em 69 páginas, os promotores reuniram provas e sustentaram que houve “um plano sistemático executado a partir da presidência e orientado a saquear o Estado por meio da concessão direcionada de obras viárias”. 

A Justiça também determinou o bloqueio dos bens de Cristina. Isso já havia sido feito pelo juiz Claudio Bonadio no caso dólar futuro, na qual a ex-presidente depôs em julho. Nessa investigação, não há suspeitas de corrupção. Cristina é acusada de ordenar operações nas quais o país perdeu o equivalente a R$ 17,1 bilhões ao negociar a divisa pelo preço oficial quando o valor de mercado para entrega este ano era 42% maior.

No caso das obras públicas, o maior beneficiado foi o até então bancário Báez, que fundou a Austral Construções em 2003 e conseguiu que seu patrimônio crescesse 4.700% em 12 anos. Um cálculo provisório estima que suas propriedades valham R$ 285 milhões. 

Segundo a promotoria, ele foi favorecido com os maiores projetos de obras, metade dos quais não foram concluídos. Báez ganhou 80% das licitações na Província de Santa Cruz, berço político de Cristina. Em troca, ele teria alugado quartos de hotéis dos Kirchners que só foram ocupados no papel e teriam custado um preço acima do valor de mercado. 

Cerco. Dois ex-ministros de Cristina receberam más notícias da Justiça hoje. Agustín Rossi, que comandou a pasta da Defesa, passou a ser investigado pelo superfaturamento de cargas de alimentos para as base do país na Antártida. O caso envolve contratos de R$ 18,5 milhões.

O ex-chefe de gabinete Aníbal Fernández viu a promotoria pedir seu julgamento por superfaturamento no chamado Plan Cunita (Plano Bercinho, em tradução livre), que distribuiu 140 mil kits infantis reprovados por técnicos. O prejuízo total, segundo o MP, foi de R$ 92 milhões.

 

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