Cristina exige Malvinas em carta no 'Guardian'

Argentina quer negociar com Londres a posse das ilhas; premiê britânico diz que desejo dos ilhéus deve ser respeitado

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2013 | 02h00

A presidente argentina, Cristina Kirchner, pediu à Grã-Bretanha, por meio de uma carta publicada ontem no jornal The Guardian, que devolva as Malvinas (Falklands, para os britânicos) à Argentina, "acabando com o colonialismo". Na mensagem, ela exige que Londres se sente à mesa de negociações e "acate" as resoluções da ONU relativas à discussão bilateral sobre a soberania do arquipélago do Atlântico Sul.

A carta foi publicada na edição impressa do jornal, coincidindo com o 180.º aniversário do desembarque britânico nas Malvinas e a expulsão do arquipélago dos colonos enviados pelo governo da Província de Buenos Aires, que controlou as ilhas durante 13 anos, entre 1820 e 1833.

Na mensagem, a presidente definiu o desembarque britânico de "um exercício descarado de colonialismo do século 19". Cristina também ressaltou que as Malvinas, localizadas próximas à Argentina, "estão a 14 mil quilômetros de Londres".

O jornal britânico, em uma análise ao lado da carta de Cristina, defendeu que "os críticos" do governo argentino indicam que a presidente, "populista e nacionalista, está tentando desviar a atenção da falta de harmonia social de seu país".

Em resposta à mensagem de Cristina, o premiê britânico, David Cameron, afirmou que "o futuro das Falklands deve ser determinado pelos próprios ilhéus, as pessoas que vivem lá". "Sempre que sua opinião foi consultada eles afirmaram que pretendem manter seu atual status em relação à Grã-Bretanha", afirmou o premiê ao Guardian.

O governo de Cristina pede que Londres sente à mesa de negociações, mas rejeita discutir o assunto com os kelpers, como são chamados os britânicos que vivem nas Malvinas.

Os moradores preparam um referendo, em março, no qual deliberarão sobre o status político do arquipélago. Segundo líderes políticos de Porto Stanley, a capital das ilhas, o referendo será realizado para deixar claro ao mundo que eles estão "muito seguros" sobre o que são e a respeito do futuro que querem.

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