Alejandro Pagni / AFP
Alejandro Pagni / AFP

Cristina fará replay de suas redes nacionais de TV

Presidente da Argentina determina a transmissão de suas participações na TV editadas com os "melhores momentos" em horário nobre

Ariel Palacios - Correspondente, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2014 | 20h45

BUENOS AIRES – Desde o início deste ano, a presidente Cristina Kirchner fez 27 longas redes nacionais de TV (em média, ultrapassando 45 minutos), ao longo das quais protagonizou anúncios econômicos, criticou a mídia, os credores internacionais e os partidos políticos da oposição, além de acusar empresários de falta de “patriotismo”. 

Nesses discursos, a presidente também falou sobre seu marido morto e contou 'causos' pessoais. Na segunda-feira à noite, ela aproveitou uma rede nacional de TV para dar os parabéns aos torcedores do Racing Club (3,2% da torcida argentina) pela vitória no campeonato argentino. 

Mas o formato das redes nacionais passará por um ‘upgrade’. Segundo a presidente, as redes terão uma modalidade diferente daqui para a frente. Inicialmente, haverá uma primeira emissão, com formato convencional, com a costumeira participação de militantes gritando seu nome e aplaudindo seu discurso. Posteriormente, no mesmo dia, em horário nobre, será transmitida uma rede nacional de TV gravada, editada com os “melhores momentos” do discurso ao vivo horas antes. 

Essa versão editada – que será uma espécie de replay de Cristina Kirchner no mesmo dia - terá imagens adicionais e gráficos. 

A presidente Cristina defendeu sua presença em formato duplo nas telas afirmando que “os telejornais dos canais não dizem nada de importante”. Por esse motivo, colocará a rede nacional de TV em horário nobre. “Gostaria de contar com os telejornais. Mas eles só transmitem meus discursos se eu digo alguma palavra retumbante e não exibem nenhuma das partes importantes”, explicou. 

Segundo ela, “queremos que as pessoas tomem conhecimento das coisas que anunciamos e esta é a única forma de fazê-lo”. No entanto, o governo tem a maior agência de notícias do país, a Télam, possui uma das principais redes de rádio – a Rádio Nacional – além de contar com diversos jornais de empresários aliados, revistas e o alinhamento da maioria dos canais de TV argentinos. Até os meios de comunicação críticos costumam dar amplo espaço para os anúncios da presidente Cristina.

A estreia do novo formato ocorreu na segunda-feira, depois de uma rede nacional de TV, no fim da tarde, quando Cristina voltou à tela dos argentinos uma hora e meia depois, na rede nacional em formato de antologia.

Situações graves. O artigo número 75 da Lei de Mídia, aprovada pelo próprio governo Kirchner, em 2009, determina que a convocação para uma rede nacional de TV somente pode ser feita para casos de “situações graves, excepcionais ou de transcendência institucional” para todo o país. No entanto, a presidente recorre às redes nacionais para fazer todo tipo de anúncio ou comentário pessoal. Esse foi o caso, em 2012, quando a presidente Cristina – em um discurso perante empresários americanos - comentou sobre as fraldas de pano que seu filho Máximo sujava quando tinha 1 ano. 

Em 2010, quando seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner estava vivo, exaltou as benesses da carne suína como “afrodisíaca”, sugerindo que no fim de semana prévio ela havia tido uma comprovação desse efeito. 

A presidente Cristina é ironicamente chamada de “discursadora serial”, já que recorre às redes nacionais de TV para fazer todo tipo de anúncio. Os deputados da oposição criticam: “falar das fraldas sujas de excrementos do filho não é um assunto grave de relevância nacional”, argumentam.  

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