Cristina gastou U 1,9 bi em propaganda

Representantes do Grupo Clarín denunciaram ontem que o governo da presidente Cristina Kirchner gastou ao longo de 2012 US$ 1,93 bilhão para sustentar o "relato", denominação popularmente aplicada à máquina de propaganda política da Casa Rosada.

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2012 | 02h03

A estrutura divide-se nos canais estatais, estações de rádio, transmissões estatais dos jogos de futebol, produção de conteúdos de ficção (filmes e séries) com tom ideológico alinhado ao kirchnerismo, além de publicidade oficial distribuída principalmente a canais de TV alinhados com a presidente Cristina, entre outros.

Segundo Martín Etchevers, gerente de comunicações externas do Grupo Clarín, o gasto em publicidade oficial cresceu em 1.300% desde a posse de Néstor Kirchner em 2003. Os representantes do Clarín indicaram que 80% dos meios de comunicação na Argentina dependem de forma direta ou indireta dos fundos da Casa Rosada. Além disso, afirmaram que o holding multimídia sofre a "hostilização" do governo.

Segundo Ricardo Kirschbaum, editor-geral do Clarín, a presidente Cristina pretende modificar a Constituição nacional para tentar uma segunda reeleição presidencial, atualmente proibida. "Para tentar isso eles querem desmontar o Grupo Clarín. O governo não tolera um jornalismo independente", disse.

Reunidos em Montevidéu, os integrantes da Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) declararam que existe preocupação pelo caso argentino. "Naquele país existe um conjunto de elementos que colocam seriamente em perigo a liberdade de expressão", sustentou Luis Pardo Sáinz, presidente da associação. "Estamos vendo que ocorre um processo de eliminação de meios de comunicação que são incômodos para o governo", disse.

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