Leo la Valle/Efe
Leo la Valle/Efe

Cristina Kirchner abre cúpula criticando destituição de Lugo

Segundo a presidente da Argentina, houve uma 'interrupção da ordem democrática'

Ariel Palacios, enviado especial à Mendoza,

29 de junho de 2012 | 14h47

Texto atualizado às 18h30

MENDOZA - A presidente Cristina Kirchner abriu a cúpula de presidentes do Mercosul criticando a destituição de Fernando Lugo da presidência do Paraguai. Segundo a presidente argentina, os "fatos de público conhecimento" no Paraguai constituíram "uma interrupção da ordem democrática". Cristina também indicou que não é favorável à aplicação de sanções econômicas contra o Paraguai, o país mais pobre do Mercosul.

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A presidente Cristina cometeu uma gafe ao afirmar que lamentava que não poderia passar a presidência pro-tempore do Mercosul - atualmente em mãos argentinas - para o Paraguai. Na realidade, a Argentina passará a presidência pro-tempore das mãos argentinas para o Brasil. Na semana passada a presidente Cristina havia cometido a mesma falha.

A presidente argumentou que o processo de impeachment de Lugo, realizado entre a quinta e sexta-feira da semana passada, "foi muito rápido", algo que "não ocorreria em outras partes do Ocidente". 

Corte na transmissão

A presidente Cristina Kirchner ordenou cortar o áudio e as imagens da reunião de presidentes do Mercosul e estados associados que eram transmitidas para os jornalistas que cobrem o evento. A ordem, ao vivo, ocorreu depois do discurso de Cristina na abertura da cúpula do bloco do cone sul.

Desta forma, a imprensa - que está restrita a uma barraca de lona a 80 metros do elegante hotel Intercontinental, onde transcorre a cúpula - não pode ouvir os discursos posteriores, da presidente Dilma Roussef, do uruguaio José Mujica, e a posterior discussão sobre as sanções que o Mercosul aplicará ao Paraguai.

Presidência do bloco

No encerramento de seu discurso, Cristina Kirchner passou a presidência pro tempore do Mercosul para o Brasil. A presidente Dilma Rousseff afirmou que durante sua gestão vai assegurar que as próximas eleições no Paraguai sejam democráticas, livres e justas.

"Nós temos, na constituição do Mercosul, um compromisso democrático fundamental, que é aquele que prima por respeitar os princípios do direito de defesa, é aquele que prima por rejeitar ritos sumários e zelar para que a manifestação dos legítimos interesses dos povos dos nossos países sejam assegurados. Por isso, temos de fazer os nossos melhores esforços para que as eleições de abril próximo, no Paraguai, sejam democráticas, livres e justas", disse Dilma.

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