Leo La Valle/Efe
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Cristina Kirchner agradece apoio de vizinhos após anúncio de câncer

Presidente da Argentina alerta vice para manter modelo de governo durante período de ausência

Marina Guimarães, correspondente

28 de dezembro de 2011 | 15h59

BUENOS AIRES - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, agradeceu nesta quarta-feira, 28, o apoio expressado pelos presidente sul-americanos após o gabinete presidencial anunciar, na véspera, que ela seria submetida a uma cirurgia no próximo dia 4, em consequência de um câncer na glândula tireoide.

 

Bem-humorada e distribuindo sorrisos, a presidente manteve o tom usual de seus discursos, agradecendo "todas as mostras de solidariedade e de apoio", mas sem fazer referências diretas ao câncer. Ela agradeceu as ligações dos colegas latino-americanos e disse que o primeiro a demonstrar seu apoio foi Hugo Chávez, da Venezuela, seguido por Sebastián Piñera, do Chile. A presidente Dilma Rousseff, que já passou por tratamento de um tumor, também entrou contato com Cristina.

 

Cristina ainda brincou com o vice-presidente Amado Boudou, que assumirá o Poder Executivo a partir do dia 4. "Cuidado como que você vai fazer, hein!", alertou Cristina se dirigindo a Boudou logo após comparar a atual situação com a vivida em seu primeiro mandato, no qual rompeu com o seu vice, Julio Cobos.

 

"É importante que o vice-presidente pense da mesma forma que a presidente eleita, porque imaginem o que poderia suceder, especialmente num mundo como o de agora, em crise, se assumisse alguém que defenda o esfriamento da economia, a eliminação total dos subsídios", comparou a presidente.

 

No primeiro discurso após a notícia de que sofre de câncer, Cristina manteve a postura áspera com a imprensa. "Imagino as manchetes da imprensa amanhã, dizendo que a presidente pressionou o vice-presidente para que faça o que ela quer, autoritária e hegemônica", afirmou.

 

Cristina pediu colaboração de todos os funcionários, governadores, prefeitos e empresários para manter o modelo de crescimento econômico da Argentina, e aproveitou para criticar alguns setores sindicais e empresariais por "pressões" para manter "privilégios", numa clara alusão às ameaças da Central Geral do Trabalho e outros sindicatos de fazer greve para obter reajustes elevados de salários.

 

A presidente ainda pediu ajuda para melhorar a distribuição de renda no país e, novamente, se referiu à sua doença de maneira indireta. "Mesmo que uma pessoa só coloque sua saúde a serviço do país, sozinha com sua equipe ela não consegue" resolver os problemas do país. "Peço-lhes que não se comportem como setores, mas como parte da Argentina que somos, de 40 milhões de argentinos", concluiu.

 

Para concluir, a presidente argentina avisou seus ministros e assessores que as férias de janeiro estão canceladas. "Vamos continuar com toda a força de sempre, e os funcionários que queriam sair de férias vão ter que ficar. Poderão até ir um fim de semana à praia, mas têm de ficar como sempre fizemos. Assumimos a responsabilidade que nos corresponde, sem jogar a culpa em ninguém, sem nos fazermos de vítima", afirmou a presidente apenas algumas horas após a confirmação de sua doença. 

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