Martin Acosta/Reuters
Martin Acosta/Reuters

Cristina Kirchner amplia gastos públicos com futebol na TV

Criticado pela oposição, programa ‘Futebol para Todos’ recebe US$ 53 milhões do governo argentino

Ariel Palacios, correspondente

13 de dezembro de 2011 | 22h00

BUENOS AIRES - O governo da presidente Cristina Kirchner aumentou os gastos estatais para o "Futebol para todos", o acordo que fez há dois anos com a Associação de Futebol da Argentina (AFA), que determina a estatização das transmissões dos jogos do Campeonato Argentino de futebol até 2019.

 

O aumento foi autorizado no último dia de Aníbal Fernández no cargo de chefe do gabinete. Fernández, que nesta semana assumiu sua cadeira de senador, tornou-se recentemente o presidente do Quilmes, uma das principais equipes da Grande Buenos Aires.

 

O governo liberou US$ 52,94 milhões adicionais para o "Futebol para Todos". No total, a verba desembolsada neste ano pelo governo para os times de futebol argentinos que integram a AFA chegou a US$ 215 milhões em 2011.

 

A AFA é comandada por Julio Grondona desde 1979. Recentemente, o cartola foi reeleito pela oitava vez, com respaldo do governo Kirchner.

 

Desde 2009 o "Futebol para Todos" custou ao Tesouro Público um total de US$ 470 milhões, segundo dados oficiais. No entanto, um levantamento realizado pelo jornal Clarín, contabilizando aumentos extraordinários do orçamento nos últimos três anos, indica que o gasto total foi de US$ 849 milhões.

 

O "Futebol para Todos" - único caso mundial de estatização das transmissões dos jogos - é uma das bandeiras do governo da presidente Cristina, que afirma estar democratizando o acesso dos jogos a todos os argentinos. No entanto, líderes da oposição afirmam que o governo Kirchner usa as transmissões para fazer propaganda política, já que durante os jogos somente são transmitidas publicidades oficiais com as obras, medidas e feitos do governo Kirchner.

 

Não há publicidade de empresas privadas desde fevereiro de 2010. Analistas consideram que o governo utilizou as transmissões de futebol para aumentar a popularidade de Cristina Kirchner, reeleita em outubro com 54% dos votos.

 

Para o sociólogo Artemio López, da consultoria de opinião pública Equis, a abertura das transmissões de TV, fruto de uma negociação entre a presidente Cristina e a Associação de Futebol da Argentina, foi uma medida com forte impacto nos setores populares.

 

Segundo López, o "Futebol para Todos" permitiu ao governo divulgar de forma ampla ações e medidas pouco conhecidas nas áreas de cultura, educação, obras públicas e tecnologia. "Nesse tipo de política estão os motivos pelos quais Cristina teve um respaldo avassalador nestas eleições", disse o sociólogo. 

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