Agustin Marcarian / Reuters
Agustin Marcarian / Reuters

Cristina surpreende e escolhe ser candidata a vice na Argentina

Em um vídeo divulgado no Twitter, a ex-presidente diz que a chapa com o Alberto Fernández ‘é a que melhor expressa o que neste momento a Argentina necessita’

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2019 | 10h47

BUENOS AIRES - A ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou neste sábado, 18, que irá concorrer como vice-presidente nas eleições deste ano na chapa liderada pelo seu ex-chefe de gabinete, Alberto Fernández, como candidato à presidência.

"Estou convencida de que esta chapa que propomos é a que melhor expressa o que neste momento a Argentina necessita para convocar os mais amplos setores sociais, políticos e econômicos, não só para ganhar uma eleição, mas para governar", disse a atual senadora em um vídeo divulgado nas redes sociais.

"Pedi a Alberto Fernández que liderasse a chapa que integraremos juntos, ele como candidato a presidente e eu como candidata a vice nas primárias abertas, simultâneas e obrigatórias" de 11 de agosto, afirmou Cristina no vídeo de 12 minutos. 

"Os tempos que estamos vivendo agora, para os argentinos, são realmente dramáticos. Nunca tantos e tantas dormiram nas ruas, com problemas de trabalho ou chorando diante de uma conta de luz ou de gás que não têm como pagar", ressaltou. "E se olharmos para o Estado, a dívida externa contraída em três anos maior que a encarada por Néstor quando chegou ao cargo. Com o agravante de que quase 40% é com o Fundo Monetário", criticou  ex-presidente.

O anúncio encerra meses de conjecturas no âmbito político e nos meios de comunicação sobre o futuro político de Cristina, e direciona o foco para o advogado Alberto Fernández, que foi chefe do seu gabinete de ministros e também de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner.

Os argentinos irão às urnas em outubro, com o atual presidente, Mauricio Macri, cada vez mais sob pressão em meio a uma crescente recessão e inflação em alta, o que têm prejudicado o desempenho do líder pró-mercado nas pesquisas.

Com uma ampla base de seguidores, Cristina Kirchner era vista como principal ameaça a Macri, embora muitos argentinos continuassem receosos com seu retorno à presidência, cargo que ela ocupou entre 2007 e 2015.

As investigações sobre o suposto envolvimento da ex-presidente em vários casos de corrupção não impedirão que ela concorra no pleito, já que o processo deve durar um ano, segundo analistas jurídicos. Além disso, ela tem foro privilegiado por ser senadora, o que lhe permitiu escapar das prisões preventivas.

Alberto Fernández é considerado um moderado dentro do amplo espectro político do flanco peronista. / EFE, AFP e Reuters

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