Cristina Kirchner completa 60 dias na presidência, 26 de folga

Nos dias em que trabalhou, ela dedicou parte da agenda às celebridades

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

11 de fevereiro de 2008 | 00h00

A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, completou ontem dois meses no poder. Mas, dos 60 dias no cargo, segundo levantamento da revista Notícias, a principal do país, ela só trabalhou 34 dias. Nas outras 26 jornadas a nova presidente esteve de folga. Essa marca a transformaria em uma das presidentes que menos trabalha em todo o mundo, o que lhe valeu a irônica denominação de "presidente part-time". Mesmo nos dias de trabalho, porém, Cristina encontrou amplos espaços em sua agenda para receber artistas internacionais como o cantor catalão Joan Manoel Serrat, o ator espanhol Antonio Banderas e sua mulher, a atriz americana Melanie Griffith, e a top model Naomi Campbell, entre outros. O tempo dedicado às celebridades foi maior do que o destinado aos encontros com autoridades estrangeiras, como o embaixador dos EUA Earl Wayne e o presidente boliviano, Evo Morales. Apesar de Cristina ter tirado vários dias de folga, a Argentina está mergulhada em uma série de problemas, como a crise energética, a escalada da inflação e escândalos de corrupção. Tarefas como a renegociação da dívida de US$ 6 bilhões com o Clube de Paris e o pacto social entre empresários e sindicalistas ficaram estancados.Nos dias livres, a presidente optou por desfrutar da paisagem patagônica de El Calafate e das praias de Mar del Plata. A revista Notícias também descobriu que, quando vai trabalhar, Cristina chega depois das 11 horas. Às 15 horas volta para a residência de Olivos e retorna duas horas depois à Casa Rosada, onde trabalha até as 20 horas. Cristina dedicou a maior parte de sua agenda aos anúncios políticos, obras e medidas econômicas - 38% do total. As reuniões políticas ocuparam 18% da agenda, as inaugurações, 16% e as reuniões sociais, 14%. Os encontros com autoridades estrangeiras representaram 9%, e as reuniões com as Forças Armadas e policiais, 5%. Enquanto Cristina dedicou quase metade dos dias no poder ao descanso, seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, continua exercendo um intenso protagonismo político, que tem eclipsado sua mulher.Embora seu papel oficial seja o de marido da chefe de Estado, Kirchner - afirmam os analistas políticos - é o presidente virtual do país em tempo integral. Os próprios ministros que trabalham com Cristina (a maior parte herdada de seu marido) continuam chamado Kirchner de "presidente". Nas últimas semanas, o "presidente" fechou um pacto com o ex-ministro da Economia Roberto Lavagna, que deixou a oposição e voltou ao governo, começou a preparar o controle total do Partido Justicialista (peronista) e apaziguou sindicalistas, coisa que sua mulher não estava conseguindo.

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