Cristina Kirchner critica passeata em homenagem a Nisman

Em texto publicado em seu site, a presidente argentina chama a marcha de "batismo de fogo de um partido do Judiciário"

O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2015 | 13h36


BUENOS AIRES.- A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, quebrou o silêncio neste sábado para questionar a passeata de quarta-feira em homenagem ao promotor Alberto Nisman, morto no dia 18 de fevereiro, que qualificou de "batismo de fogo de um partido do Judiciário", em referência a parte dos organizadores da marcha, que fazem parte do Ministério Público.

Cristina publicou uma mensagem em seu site na qual afirma que a passeata, convocada por um grupo de promotores, "não foi um ato de homenagem a uma pessoa tragicamente falecida, com a óbvia exceção de seus parentes diretos".

"O 18F (18 de fevereiro) não é a homenagem a um promotor, nem sequer uma reivindicação insólita por justiça, mas o batismo de fogo do Partido Judicial", declarou a líder argentina.

Ela também questionou as críticas que recebeu nos últimos dias por não falar sobre o falecido promotor.

"É curioso que quando falo o que alguns não querem ouvir, um promotor exige que me cale e, quando não falo o que eles querem, reivindiquem que eu fale", comentou.

Cristina também qualificou de "absurdo e politicamente armado" o número de presentes à marcha divulgado pelos meios de comunicação argentinos, que calcularam a participação de 400.000 pessoas.

"Tanto no gestual como nas palavras e no ostensivamente visível, o 18F foi decididamente uma passeata opositora, convocada por promotores e apoiada por juízes e todo o arco político opositor", acrescentou a presidente.

No dia 18 de fevereiro, uma multidão marchou em Buenos Aires para reivindicar em silêncio o esclarecimento da morte do promotor Alberto Nisman, que investigava o atentado de 1994 contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia) e  denunciou Cristina por supostamente acobertar os iranianos acusados do ataque que deixou 85 mortos.

A governante argentina tinha guardado silêncio e não se pronunciara sobre a passeata, apesar de vários integrantes de seu governo terem condenado a mobilização por seu suposto caráter opositor. / EFE

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