EFE/Alberto Ortiz
EFE/Alberto Ortiz

Cristina Kirchner deixa aberta possibilidade de disputar Senado

Em uma entrevista de mais de 90 minutos concedida a quatro jornalistas do canal de notícias C5N, ex-presidente argentina criticou as políticas do governo Macri, as quais qualificou como a 'volta do neoliberalismo' ao país

O Estado de S.Paulo

26 Maio 2017 | 15h59

BUENOS AIRES - A ex-presidente argentina Cristina Kirchner (2007-2015) afirmou na quinta-feira, 25, que será candidata ao Senado nas próximas eleições legislativas do país se isso for necessário para garantir o triunfo de uma força que "ponha limites" ao governo de Mauricio Macri. 

"Si for necessário que eu seja candidata para dar mais quantidade de votos a essa proposta, então eu serei", afirmou Cristina, mas ponderando que "não será obstáculo" no caso de sua força política, o pernonismo, considere que outro nome possa garantir esse objetivo de "pôr limites ao ajuste neoliberal". 

Em uma entrevista de mais de 90 minutos concedida a quatro jornalistas do canal de notícias C5N, Cristina criticou as políticas do governo Macri, as quais qualificou como a "volta do neoliberalismo à Argentina". "Primeiro, quero convovar a maior parte dos argentinos, aos que têm responsabilidades institucionais e históricas, ao reagrupamento do campo popular, nacional, democrático para ajudar que isso não se descontrole", disse a ex-presidente. 

A expectativa está em saber se ela se lançará candidata a senadora pela Província de Buenos Aires, o distrido mais povoado e onde vive mais de um terço dos argentinos. Nas eleições de 23 de outubro, Macri buscará reverter sua minoria parlamentar para evitar negociar acordos com o Congresso.  As eleições de meio de mandato renovarão metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado. 

Ao convocar a unidade, Cristina disse que não quer ser um "dispositivo da derrota popular, nem participará de uma estratégia que possa dividir o campo popular". 

A entrevista foi concedida no Instituto Patria, sede partidária e centro de estudos do kirchnerismo, e foi acompanhada por centenas de militantes do lado de fora do local. Cristina falou a eles no fim da entrevista. 

"Precisamos unir a maior quantidade de argentinos possível. Voltamos a reconstruir uma maioria social, política, sindical que permita a defesa dos direitos sociais, políticos e econômicos alcançados nos 12 anos (de kirchnerismo)", disse ela, em alusão ao governo de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) morto em 2010, e ao seu próprio. 

Aos jornalistas, a líder peronista de centro-esquerda disse que seu papel é "conseguir que se construa a unidade, com base em propostas". Entre outros pontos, assinalou a necessidade de revisar a dívida externa, que "cresceu a US$ 97 bilhões em um ano e meio" de governo Macri e considerou necessário declarar a emergência tarifária, alimentar e trabalhista no país. / AFP  

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