AP Photo/Victor R. Caivano
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Cristina Kirchner depõe novamente à Justiça, sob pressão de acusações

Um dos principais empreiteiros do país disse a promotor que os Kirchner recebiam até 20% do valor de todas as obras públicas; ex-presidente é citada em mais depoimentos

O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2018 | 05h00

BUENOS AIRES - A ex-presidente argentina Cristina Kirchner vai estar na manhã desta segunda-feira, 13, novamente frente a frente com o juiz que desde 2015 tenta provar o envolvimento do kirchnerismo em casos de corrupção. O juiz federal Claudio Bonadio foi o primeiro a convocar Cristina para depor, em 2016, quatro meses depois de ela deixar o cargo. Agora, ela é suspeita de ser a destinatária final de dinheiro proveniente de subornos de empresários.

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É a quarta vez que Cristina vai aos tribunais para depoimentos em causas diferentes. As novas acusações contra a ex-presidente estão no processo dos chamados “diários da corrupção”, que vieram à tona graças a anotações e relatos feitos em oito cadernos por Oscar Centeno, o motorista de Roberto Baratta – braço direito do ex-ministro de Planejamento Julio de Vido. Até agora foram mais de 20 depoimentos no caso. 

Cristina foi citada em vários depoimentos, entre eles um considerado bombástico pela imprensa argentina, o de Carlos Wagner, ex-presidente da Câmara de Construção da Argentina entre 2004 e 2012. Wagner é dono da Esuco, uma das principais construtoras do país e a campeã em execuções de obras públicas durante o kirchnerismo. 

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Em depoimento de mais de quatro horas dado ao promotor Carlos Stornelli, na sexta-feira, Wagner disse que os Kirchner recebiam de 10% a 20% de propina sobre todas as obras feitas via licitação. “Esse dinheiro seria usado para despesas políticas”, disse Wagner no depoimento, revelado pelo jornal La Nación.

“As empresas se reuniam nos locais estabelecidos e determinavam o vencedor da licitação, com base em seu interesse no trabalho. Uma vez premiado, o compromisso era pagar pelas despesas políticas e pelo avanço que foi estabelecido nas especificações, em geral entre 10% e 20% do total das obras.”

Segundo estimativas do Clarín, se Wagner estiver dizendo a verdade, os Kirchner receberam US$ 2,8 milhões por dia em subornos. O valor total de obras públicas na “era K”, entre os governos de Néstor Kirchner (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007-2015), somaram cerca de US$ 107 bilhões. A média de subornos, portanto, atingiria a cifra de US$ 16 bilhões.

Neste domingo, 12, Cristina confirmou que iria se apresentar aos tribunais, como fez “em cada requerimento judicial”, para prestar depoimento. É possível que a atual senadora apenas apresente uma declaração escrita ao juiz, como fez em outras ocasiões em que foi chamada. 

A ex-presidente publicou uma mensagem no Twitter na qual pedia para que os militantes kirchneristas não se mobilizassem para acompanhá-la quando se apresentar ao juiz Claudio Bonadio, como fizeram em ocasiões anteriores. “Coloquemos todo o nosso esforço e energia para ajudar aqueles que estão passando muito, mas muito mal, nesta verdadeira catástrofe econômica e social que é o governo de Mauricio Macri”, afirmou Cristina.

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