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Cristina Kirchner diz que espera não ter de voltar em 2019

Embora tenha deixado uma janela aberta para uma nova candidatura, Cristina reforçou que o melhor "para o país mudar estrutural e culturalmente" é que não se precise dela ou de alguém em especial na presidência

Rodrigo Cavalheiro / CORRESPONDENTE - BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2015 | 16h20

BUENOS AIRES - A presidente argentina, Cristina Kirchner, disse nesta terça-feira, 7, que espera não ser necessário se candidatar ao cargo em 2019. Seu futuro político - sobre o qual ela raramente fala, mas a população e analistas têm várias teorias -, foi abordado ao vivo na televisão depois de um pedido para que ela concorresse em quatro anos, feito pelo presidente do órgão de prevenção contra as drogas, Juan Carlos Medina, que entrou na transmissão por videoconferência em Jujuy, fronteira com a Bolívia.

"Espero que não, isso de 2019... Sabe por quê? Porque depois de mim virá alguém melhor que eu”, afirmou em um ato na Casa Rosada que marcou sua 13.ª aparição em rede nacional no ano. “Tomara que eu esteja (em 2019) fazendo coisas de que eu gosto, que não seja necessário que eu esteja para que as coisas sejam feitas”, acrescentou. A Argentina tem eleições em outubro e Cristina não pode concorrer à reeleição, depois de governar o país por dois mandatos de quatro anos.

Embora tenha deixado uma janela aberta para uma nova candidatura, Cristina reforçou que o melhor “para o país mudar estrutural e culturalmente” é que não se precise dela ou de alguém em especial na presidência. A presidente afirmou esperar que em quatro anos “o povo esteja no poder e ninguém possa tirar as coisas que foram feitas”.

Analistas políticos creem que ela se candidatará este ano a um posto no Congresso ou no Parlamento do Mercosul. Uma das razões para se manter ativa na política seria a proteção parcial que o cargo lhe daria contra investigações por corrupção envolvendo hotéis de sua família no sul do país. Outro objetivo seria conservar o controle do Parlamento em um eventual governo de oposição e se manter em exposição para uma eventual volta em 2019. O movimento foi apelidado de Michelle Bachelet, em alusão à presidente chilena, que voltou ao poder em março de 2014 após governar entre 2006 e 2010.

A transmissão oficial desta terça-feira foi convocada para anunciar medidas para aposentados, como ampliação de empréstimos e descontos de 35% em passagens de média e longa distância em trens – Florencio Randazzo, ministro dos Transportes, é o preferido da base do kirchnerismo para suceder à presidente, embora o provável candidato seja Daniel Scioli, governador da Província de Buenos Aires, um peronista moderado. O ato convocado por Cristina celebrou que 450 mil argentinos tenham se aposentado depois que o governo flexibilizou a exigência de contribuições para conseguir o benefício.

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