AP Photo/Natacha Pisarenko
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Polícia Federal faz buscas no prédio onde vive Cristina Kirchner

Mais cedo, ex-presidente argentina recusou competência do juiz Claudio Bonadio - responsável por 5 dos 6 casos nos quais é investigada - e disse ser vítima de 'plano político, judicial e midiático, contra líderes progressistas da América Latina'

O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2018 | 12h41
Atualizado 13 Agosto 2018 | 19h52

BUENOS AIRES - Agentes da Polícia Federal argentina entraram nesta segunda-feira, 13, no prédio onde vive a ex-presidente e senadora Cristina Kirchner sob ordem do juiz Claudio Bonadio. A Polícia, porém, não pode entrar no apartamento de Cristina, protegido por sua imunidade parlamentar. 

As ordens de busca, que segundo o jornal Clarín ocorrem apenas nas áreas comuns do primeiro e quarto andares, teriam o objetivo de conferir se as descrições conferiam com as feitas pelo principal delator do caso no qual Cristina é acusada de receber propina, o motorista Oscar Centeno. O caso ficou conhecido com a “Lava jato argentina”. 

Mais cedo, Cristina se apresentou ao juiz Bonadio, que a investiga no caso que também ficou conhecido como "diários da corrupção", entregou uma declaração por escrito e se negou a responder a perguntas do magistrado.

Cristina, que governou a argentina de 2007 a 2015, também recusou mais uma vez a competência do juiz - responsável por cinco dos seis casos em que ela é acusada -, e do procurador Carlos Stornelli, e pediu que este caso, motivado pela entrega de diários com registros de supostos pagamento milionário de propinas para políticos kirchneristas, seja anulado por fazer uso de provas ilegais e sem o respeito do devido processo legal.

A ex-presidente disse que a investigação é fruto de "uma decisão política do Poder Judiciário, em sua mais alta expressão, em coordenação com o Executivo (do presidente Mauricio Macri) e os meios de comunicação hegemônicos, para ungir Bonadio como o braço de perseguição" contra ela.

"Se inaugura assim uma nova categoria jurídica que excede a do juiz parcial ou do 'não juiz': se trata (agora) do juiz inimigo, ator principal do 'lawfare' (guerra jurídica)", afirmou Cristina.

Ela estava acompanhada de Eduardo Valdés e Juan Grabois, dois dirigentes sociais e políticos próximos do papa Francisco, e aproveitou a oportunidade para denunciar o que disse ser um plano político, judicial e midiático, contra líderes progressistas da América Latina.

"É a nova estratégia regional para suprimir líderes, movimentos e forças políticas que ampliaram direitos e permitiram que milhões de pessoas saíssem da pobreza na primeira década e meia do século 21", diz um trecho da declaração entregue ao juiz e disponibilizada na íntegra em seu site pessoal.

Ao falar em líderes latino-americanos, ainda que sem citar nomes, Cristina se referia ao ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, desde abril preso na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, como havia antecipado que faria em suas redes sociais.

Cristina é mencionada nos diários da corrupção junto com ex-funcionários de seu governo e mais de vinte grandes empresários argentinos supostamente envolvidos no esquema de pagamento de suborno ou de financiamento ilegal de campanha. O procurador Stornelli diz que ela era "a chefe de uma associação ilícita". / Com AFP

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