Eitan ABRAMOVICH / AFP
Eitan ABRAMOVICH / AFP

Cristina Kirchner nega ligação com caso de suborno

Ex-presidente rejeita prestar declarações e envia texto a juiz se declarando vítima de perseguição política

O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2018 | 19h55

BUENOS AIRES - Cristina Kirchner, que governou a Argentina entre 2007 e 2015, negou ter qualquer ligação com o escândalo dos “cadernos da corrupção” e voltou a se declarar vítima de perseguição política. Ela rejeitou prestar declarações ao juiz Claudio Bonadio, mas entregou a ele na segunda-feira um texto em que reitera sua negativa de ter participado de qualquer tipo de associação ilícita, assim como ter cometido qualquer delito. 

Cristina disse que não há provas contra ela e comparou seu caso ao do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que, com ele, estão tentado afastá-la da atividade política.

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, que anunciou novas medidas de austeridade, atribui a crise econômica que afeta o país ao escândalo de corrupção, descoberto há cerca de um mês quando o diário argentino La Nación divulgou os cadernos onde o ex-motorista do Ministério de Planejamento Oscar Centeno anotou as datas e os valores dos subornos pagos a funcionários do governo por empresas da área de infraestrutura para obter a concessão de obras públicas.

Os pagamentos das propinas ocorreram nos governos de Néstor Kirchner (2003 a 2007) e Cristina. Até agora, 28 pessoas foram indiciadas e 17 fizeram acordo de delação premiada. 

Além deste caso, Cristina enfrenta outros cinco processos judiciais por suspeita de corrupção e acobertamento de iranianos envolvidos no atentado de 1994 contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), que deixou 85 mortos.

Segundo o Centro de Informação Judicial, o primeiro julgamento oral e público contra a ex-presidente começará em 26 de fevereiro por supostas irregularidades na contratação de obras públicas na Província de Santa Cruz, na Patagônia. Nesse mesmo processo também foram indiciados o ex-ministro Julio de Vido, o ex-vice-ministro de Obras Públicas José López e o empresário Lázaro Báez. / AFP

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