Reuters
Reuters

Cristina Kirchner pede intervenção do papa em disputa sobre Ilhas Malvinas

Presidente da Argentina também entregou uma cuia de presente a Francisco no encontro desta segunda-feira

Gavin Jones, Reuters

18 de março de 2013 | 15h09

ROMA - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pediu ao papa Francisco para intervir em apoio a Buenos Aires na disputa com a Grã-Bretanha sobre as Ilhas Malvinas, no Atlântico Sul, disse ela nesta segunda-feira.

Cristina almoçou com o ex-arcebispo de Buenos Aires Jorge Bergoglio no Vaticano, pouco depois de chegar a Roma para assistir à sua missa inaugural papal na terça-feira. "Eu pedi pela intervenção dele sobre a questão das Malvinas", disse ela a repórteres depois. "Eu pedi a intervenção dele para evitar problemas que podem surgir a partir da militarização da Grã-Bretanha no Atlântico sul", acrescentou.

Cristina Kirchner, que preside a Argentina há seis anos, montou uma campanha para renegociar a soberania do arquipélago, que a Grã-Bretanha tem resistido, causando uma série de disputas diplomáticas. "Nós queremos um diálogo e é por isso que pedimos ao papa para intervir para que o diálogo seja bem sucedido."

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse na semana passada que o papa Francisco, o primeiro pontífice vindo da América Latina, tinha errado ao dizer em 2012 que a Grã-Bretanha "usurpou" as ilhas disputadas da Argentina. No ano anterior, Bergoglio afirmou que as ilhas eram "nossas", uma visão que a maioria dos argentinos compartilha.

Cameron afirmou que o povo das ilhas tinha deixado clara a sua visão em um referendo na semana passada, em que votou maciçamente a favor de permanecer britânico.

A Argentina fica 500 quilômetros a oeste das ilhas, que tem reivindicado por quase 200 anos. Em 1982, a Argentina invadiu o local, mas foi repelida após uma guerra de 74 dias com a Grã-Bretanha.

Cristina e seu falecido marido e antecessor como presidente Nestor Kirchner tiveram uma relação fria com Bergoglio, que eles já acusaram de tomar partido com a oposição contra eles.

Alguns analistas afirmam que a eleição surpresa de Bergoglio como papa na semana passada em um conclave onde ele não foi sequer mencionado nas listas de mídia dos favoritos, tinha incomodado Cristina, que agora quer consertar os laços com a Igreja Católica antes das eleições em outubro.

A eleição de Bergoglio causou comoção na Argentina. Cristina Kirchner vestiu terno preto e chapéu com um laço para o encontro com o papa, em que eles trocaram presentes. "Houve uma situação muito difícil em 1978, quando Argentina e Chile quase entraram em guerra, e depois João Paulo 2º interveio e ajudou a aproximar os dois países", disse ela a jornalistas.

"Agora a situação é diferente porque a Grã-Bretanha e a Argentina são dois países democráticos com governos eleitos pelo povo. A única coisa que pedimos é que possamos sentar e negociar."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.