Ricardo Ceppi/EFE
Ricardo Ceppi/EFE

Cristina Kirchner remove ministro que rasgou páginas de jornal

Jorge Capitanich deixa o cargo número 2 do Executivo; assume Aníbal Fernández, defensor mais ácido do kirchnerismo

Rodrigo Cavalheiro, correspondente / Buenos Aires , O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2015 | 15h25

BUENOS AIRES - A tarefa de rebater a cada manhã as críticas ao governo de Cristina Kirchner caberá nos próximos e últimos oito meses de seu governo a Aníbal Fernández, conhecido pelo tom irônico e duro. Recentemente, ele sugeriu à promotora Viviana Fein, investigadora da morte de Alberto Nisman, que ela “não colocasse o maiô”, uma sugestão para que não tirasse as férias programadas para a segunda quinzena de fevereiro. A contragosto, Viviana desistiu da folga.

Fernández assume como chefe de gabinete, cargo ocupado até agora por Jorge Capitanich, que ocupou a função por um ano e quatro meses e deixou transparecer sua disposição para ser o candidato kirchnerista à presidência. Ele deve se conformar em disputar a prefeitura de Resistência, cidade com 300 mil habitantes na fronteira com o Paraguai. “Vão continuar batendo em você”, disse Cristina nesta quinta-feira, 26, durante a transmissão dos cargos.

Capitanich ficou associado recentemente à entrevista coletiva do dia 2, em que rasgou duas páginas do jornal Clarín. Uma delas trazia uma reportagem que informava sobre a existência de um rascunho da denúncia de Nisman na lixeira no dia de sua morte. Nesse texto, era pedida a prisão da presidente, o que o promotor não colocou no documento que tinha apresentado no dia 14 de janeiro e defenderia no dia 19 de janeiro no Congresso.

Capitanich afirmou que a reportagem era um lixo ao rasgá-la. No dia seguinte, o jornal publicou o rascunho na íntegra. Capitanich não se desculpou. O governo e o Grupo Clarín mantêm uma disputa judicial em razão da Lei de Mídia, que determina o desmembramento da empresa, algo evitado com liminares.

O episódio desgastou Capitanich, mas o fator determinante para sua saída são as más relações com o grupo La Cámpora, a juventude kirchnerista, que ganhou espaço no segundo mandato de Cristina. Desse movimento vem o substituto de Fernández como secretário-geral da presidência, Eduardo Wado de Pedro.

Fernández chega ao posto mais visível do governo após dar impulso à aprovação da agência que substitui a Secretaria de Inteligência. O novo organismo foi lançado por Cristina após a morte de Nisman e foi aprovado pelo Congresso ontem. A presidente já considerou o caso um suicídio, mas logo mudou sua aposta para um homicídio envolvendo agentes secretos, com o objetivo de prejudicá-la. 

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