Augustín Marcarian/Reuters
Augustín Marcarian/Reuters

Cristina Kirchner será julgada por corrupção pela segunda vez na Argentina

Ex-presidente é acusada de participar de rede de propinas pagas por empresários a integrantes do governo em troca de contratos de obras públicas

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2019 | 15h56

BUENOS AIRES  - O juiz federal argentino Claudio Bonadio decidiu, nesta sexta-feira, 20, levar a julgamento a ex-presidente Cristina Kirchner e os demais acusados pelo "escândalo dos cadernos", no qual a atual candidata à vice-presidência era investigada por integrar uma rede de propinas pagas por empresários a integrantes do governo em troca de contratos de obras públicas.

Bonadio, encarregado do caso, decidiu concluir as investigações e levar a questão para os tribunais, onde Kirchner - senadora desde 2017 - é acusada dos crimes de formação de quadrilha e corrupção passiva.

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Além disso, o juiz, como já havia feito outras vezes, solicitou ao Senado que debata e aprove a perda de imunidade da ex-presidente, com o objetivo de que seja detida e cumpra a prisão preventiva, emitida contra Cristina Kirchner em setembro do ano passado.

No entanto, como em outras oportunidades, o Senado, dominado pelo peronismo, partido de Cristina, não deve aprovar o pedido. 

Caderno detalhava propina a kirchneristas

O caso foi descoberto em agosto do ano passado, quando uma investigação jornalística revelou os cadernos onde o motorista Oscar Centeno supostamente detalhava as viagens que fazia por Buenos Aires para entregar bolsas com milhões de dólares a funcionários kirchneristas.

Esse julgamento, que afeta também alguns dos mais importantes empresários do país, ainda não tem data para acontecer. Ele se soma a outros processos pelo qual Cristina Kirchner responde - a maioria por suposta corrupção, - e acontece em plena campanha eleitoral para à presidência, no próximo dia 27 de outubro, onde ela  é candidata a vice na chapa de Alberto Fernández. 

Segunda vez que Cristina vai ao banco dos réus

Esse é o segundo julgamento no qual Cristina vai ao banco dos réus na Argentina. O primeiro começou em maio e trata de um esquema de desvio de dinheiro público ao direcionar contratos de obras públicas ao Grupo Austral, propriedade do empresário Lázaro Báez, próximo da família Kirchner. 

Entre 2004 e 2015, durante os governos de Néstor e Cristina, a empresa  recebeu a concessão de 52 obras públicas no valor de US$ 1,15 bilhão em Santa Cruz, na Patagônia, província do sul da Argentina que foi o trampolim da família Kirchner para a política nacional.

Segundo a acusação, foram obras superfaturadas e o dinheiro foi embolsado tanto pelos empresários quanto pelos políticos envolvidos, incluindo Cristina. Báez e o ex-ministro do Planejamento Julio de Vido (2003-2015) também são réus no processo. Ambos estão presos. 

O delito teria sido cometido durante seus dois mandatos, entre 2007 e 2015, e o processo também inclui o período de governo de seu falecido marido, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007). A estimativa de analistas é que as audiências durem pelo menos até maio de 2020. Isso porque o processo é grande, envolvendo ao todo 13 réus, mais de 50 contratos de obras públicas e cerca de 160 testemunhas. 

Kirchnerismo em vantagem nas primárias

Fernández derrotou Macri nas primárias de agosto por mais de 15 pontos de diferença, em uma virada que analistas atribuem ao descontentamento da classe média da grande Buenos Aires com a crise econômica que afeta o país. Na Argentina, as primárias  funcionam como um indicador do entusiasmo dos eleitores.

 Alberto Fernández, derrotaria o presidente argentino, Mauricio Macri, nas eleições de outubro por uma vantagem ainda maior do que a diferença esmagadora que ele obteve nas primárias de agosto, segundo três pesquisas divulgadas recentemente. 

Fernández, cuja colega de chapa é a ex-presidente Cristina Kirchner, deve obter 51,5% dos votos e Macri, 34,9%, segundo pesquisa da empresa Ricardo Rouvier & Asociados. “O que vejo é uma consolidação do resultado das primárias”, disse o analista Julio Burdman, cuja consultoria Observatorio Electoral ainda está concluindo suas pesquisas de opinião.

 

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