Cristina leva presos a comícios, diz opositor

Segundo ex-auxiliar das Mães da Praça de Maio, militantes da juventude kirchnerista trocam participação de detentos por regalias na prisão

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2012 | 03h07

O governo da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, estaria utilizando população carcerária para aumentar o número de pessoas que participam nas manifestações a favor da administração Kirchner. Os presidiários, entre os quais há condenados de fama popular, são levados às concentrações de massas para gritar "vivas" a Cristina e outras autoridades kirchneristas nos diversos comícios.

A denúncia foi realizada há poucos dias por Sérgio Schoklender, ex-braço direito da líder das Mães da Praça de Mayo, Hebe de Bonafini. Schoklender sustentou que o grupo Vatayón Militante - que leva os presidiários aos atos políticos - constitui uma tropa de choque que seria controlada pela La Cámpora, denominação da juventude kirchnerista.

Ontem , o jornal Clarín publicou detalhes do funcionamento do grupo. Segundo o jornal, a entidade, criada pelo diretor das prisões federais da Argentina, Victor Hortel, teria a missão de organizar eventos culturais dos militantes com a presença de presidiários que contem com permissões especiais da Justiça.

O objetivo oficial é o de ressocializar os detentos com oficinas de música, teatro, tango além de cursos de formação política e pintura em murais.

Mas o grupo, na realidade, levaria os presidiários para atos políticos do governo e seus aliados sem a autorização dos juízes. Os integrantes do Vatayón Militante ostentam camisetas com a letra V, de vitória, e um K, a inicial do casal Kirchner).

Segundo Schocklender, alguns militantes de "La Cámpora" recrutam detentos nas penitenciárias para comícios e atos políticos. Schoklender afirma que os "camporistas", em troca pela participação nos atos políticos, dão aos presidiários escolhidos uma série de privilégios posteriores, entre eles, um maior número de visitas de parentes.

Schoklender também sustentou que o plano do governo é que, quando estes presidiários fiquem em liberdade, "voltarão às favelas e recrutarão mais pessoas".

O ex-braço direito das Mães alega que o uso de presidiários atuais e de criminosos será a base de uma gangue e uma força de choque dos setores marginais com consequências bastante complexas.

Schoklender conhece bem as prisões, já que esteve preso durante uma década e meia nos anos 80 e início dos 90 pelo assassinato de seus milionários pais, os quais matou com a cumplicidade de seu irmão Pablo, golpeando seus crânios com uma barra de ferro.

O Vatayón afirma que não recruta militantes nas penitenciárias. Mas admite que na organização pode participar qualquer tipo de pessoa, em liberdade ou não.

Segundo o Clarín, um dos casos de presidiários famosos que participou de um comício kirchnerista foi o do ex-baterista do grupo de rock Callejeros, Eduardo Vázquez, que cumpre pena pelo assassinato de sua esposa, Wanda Tadei. No dia 24 de junho, Vázquez participou de um ato do Vatayón Militante. Na ocasião, o músico tocou a bateria. Poucos dias antes, no 14 de junho, ele havia sido condenado a 18 anos de prisão. Vázquez - que incinerou viva sua mulher - havia sido levado a outro comício, em novembro passado, quando já estava com prisão preventiva decretada.

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