Cristina liga denúncia de Nisman a fundos abutres

BUENOS AIRES - A presidente Cristina Kirchner atacou ontem os fundos especulativos americanos que colocaram a Argentina em um calote parcial por cobrar na íntegra bônus da dívida local renegociados. Ela os acusa de financiar um plano contra um acordo de 2013 entre Buenos Aires e Teerã para investigar o atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em 1994.

RODRIGO CAVALHEIRO, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2015 | 02h03

Esse pacto foi o alvo da denúncia feita pelo promotor Alberto Nisman contra a presidente, o chanceler Héctor Timerman e outros funcionários quatro dias antes de ser encontrado com uma bala na cabeça em seu apartamento, em 18 de janeiro. Ele acreditava que o cerne do acordo - ouvir os acusados iranianos em Teerã - era uma fachada para ampliar contratos comerciais e a retirar ordens de prisão internacionais contra os suspeitos.

A ligação entre dois casos foi feita pela presidente em 56 tuítes e em sua página cfkargentina.com, ontem à tarde. "Tudo tem a ver com geopolítica e poder internacional", disse. A teoria de Cristina é a de que o milionário Paul Singer, que enfrenta a Argentina na Justiça em razão dos bônus, era próximo de Nisman e teria recebido pedidos para ajudar financeiramente a impedir a aproximação com o Irã.

A base da acusação presidencial é um artigo do jornal Página 12 de sábado escrito por Jorge Elbaum, sociólogo e ex-dirigente da Delegação de Associações Israelitas Argentinas (Daia). O jornal é um dos principais destinos de publicidade oficial kirchnerista. Cristina menciona Daia e Amia como partícipes dessas negociações. Nenhum dos acusados defendeu-se ontem.

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