David Fernández | EFE
David Fernández | EFE

Cristina liga opositor a caos de 2001 e ditadura

Presidente argentina faz campanha ao lado do escolhido para disputa da sucessão e afirma que modelo proposto pela oposição provocou crise

Rodrigo CavalheiroCORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2015 | 08h06

A presidente argentina Cristina Kirchner opinou nesta sexta-feira, 6, ao lado de seu candidato, Daniel Scioli, sobre o perigo que representaria a eleição no dia 22 do opositor Mauricio Macri para substituí-la. No último dia em que a lei permitia a ela fazer campanha, disse estar preocupada com a possibilidade de que alguém “com outra visão de país” ocupe a Casa Rosada e lembrou da renúncia de Fernando de la Rúa em 20 de dezembro de 2001.

“Outro ex-prefeito da capital teve de fugir de helicóptero”, afirmou, em referência a De la Rúa. A presidente recuperou uma frase de Macri de 2014, em que o prefeito de Buenos Aires prometia o fim de cabides de emprego em direitos humanos. “Os que ganharam com direitos humanos foram os empresários”, disse Cristina, em alusão à última ditadura (1976-1983).

“Isso não é campanha do medo. Mostramos o que fazemos e lembramos o que fizeram e disseram”, afirmou, sobre reclamações da oposição de uma tática para assustar a população. Ela sustentou que a maior vítima disso foi seu governo. “Disseram que eu era bipolar. Que não poderia voltar ao poder após operar a cabeça, que era um vegetal. Uma capa de jornal me retratou fingindo um orgasmo com o poder”, reclamou Cristina.

Indiretamente, a presidente criticou a classe média que se afastou de seu governo, justamente o público que Scioli tenta reconquistar.

“Quem conseguiu carro, casa e viajar ao exterior tem mérito. Mas essa pessoa se esforçava antes de 2001 e não conseguia”, afirmou.

Cristina deixou clara a intenção de transformar a campanha em uma disputa entre visões de governo, não entre personagens. “Não estamos votando em santos, mas em modelos”, disse na sexta-feira.

Ela começou o ato com inaugurações, diante de empresários e seu gabinete. Não entrou em cadeia nacional – prática que tornou frequente e impopular este ano, com 44 convocações. Sentado alguns metros à direita de Cristina, Scioli não falou. Apenas fez sinal de positivo e a abraçou ao fim do primeiro de seus dois discursos.

O segundo ocorreu diante de centenas de jovens militantes que foram ao bairro de Palermo, em Buenos Aires. Cristina recolheu as mangas da roupa de grife branca e falou sob sol forte. “Precisamos de união”, disse, já sem Scioli, que teve o nome mencionado por ela uma vez.

O governista teve 37% dos votos no primeiro turno, ante 34,1% de Macri. Serão chave na eleição os eleitores de Sergio Massa (21,3%), cujo apoio tácito a Macri faz o conservador aparecer como favorito.

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