Cristina manda mais dinheiro a feudo político

Território dos Kirchners, Santa Cruz obtém o maior valor per capita em fundos presidenciais

Ariel Palacios,

10 de agosto de 2011 | 00h35

CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

A Província de Santa Cruz, feudo político do casal Kirchner há duas décadas, está sendo amplamente privilegiada com fundos especiais da presidência da Argentina, segundo relatório do Instituto de Investigações sobre a Realidade Argentina e Latino-Americana (Ieral), da Fundação Mediterrânea, da cidade de Córdoba.

Com base em números oficiais, o instituto afirma que a Província de Santa Cruz recebeu, entre 2003 (ano em que Néstor Kirchner foi eleito presidente) e 2010, fundos para obras públicas na ordem de US$ 5 mil por habitante.

Comparativamente, o volume de dinheiro destinado a Santa Cruz é 32 vezes maior do que os fundos para obras enviados pelo governo federal à Província de Buenos Aires, a maior da Argentina, que recebeu o equivalente a US$ 156,40 per capita.

O governo silencia sobre a ajuda fornecida a Santa Cruz, que, graças aos royalties da exploração de gás e petróleo - além do turismo e dos subsídios estatais -, conta com a maior renda per capita da Argentina, com média de US$ 32 mil anuais.

Santa Cruz transformou-se no feudo político dos Kirchners em 1991, quando Néstor foi eleito governador da província. Com sua morte, em outubro, o controle da política local passou às mãos da mulher dele, a presidente Cristina Kirchner.

Isolamento. Geograficamente, Santa Cruz é a segunda maior província da Argentina, com quase 9% do território nacional, atrás apenas de Buenos Aires, que cobre 11% do país. No entanto, Santa Cruz ocupa o segundo lugar na lista de províncias mais despovoadas. Em sua árida região concentram-se somente 272 mil habitantes, o equivalente a 0,68% do total da população argentina.

"Nunca antes presidentes argentinos beneficiaram tanto sua própria província com fundos presidenciais como fizeram os Kirchners com Santa Cruz", afirmou ontem ao Estado Luis Majul, autor de O Dono, livro que relata as negociatas do casal na província.

Antes da chegada dos Kirchners à presidência, Santa Cruz tinha um peso nulo na política argentina. Mas, nos últimos oito anos, transformou-se em uma região de alta influência e, atualmente, os ministros mais importantes do gabinete de Cristina são pinçados dessa província ou de áreas vizinhas da Patagônia argentina.

Os funcionários da atual administração que vêm dessa região são apelidados de "pinguins", aves que predominam no litoral sul da Argentina. Entre eles, o grupo que toma as principais decisões governamentais na Casa Rosada é denominado de "pinguinera" (uma colônia de pinguins, em espanhol).

Refúgio presidencial. Outros integrantes do governo de Cristina, que não nasceram ou foram criados na Patagônia, tentaram "patagonizar-se" nos últimos anos, comprando casas na cidade de El Calafate, em Santa Cruz. O vilarejo, a 2,8 mil quilômetros de Buenos Aires, é o lugar de descanso da presidente, que costuma passar seus fins de semana no local.

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