Cristina nomeia novo ministro da Economia

De volta às funções após se recuperar de cirurgia, líder argentina muda também chefe de gabinete

Ariel Palacios, Correspondente

18 de novembro de 2013 | 23h57

De volta à ativa um mês e meio após ser submetida a uma cirurgia para a retirada de um hematoma do crânio, a presidente argentina, Cristina Kirchner, designou nesta segunda-feira, 18, como novo ministro da Economia o neokeynesiano Axel Kicillof, que nos últimos anos ocupou o posto de vice na pasta. Kicillof atuou o ministro de fato desde 2011, obscurecendo o então titular, Hernán Lorenzino.

Os analistas destacavam que a designação do jovem ministro com pinta de galã indica uma virtual confirmação do modelo econômico kirchnerista de intervenção da economia. No mercado portenho, Kicillof é definido como "o fundamentalista do kirchnerismo".

No ano passado, o protegido de Cristina causou polêmica ao afirmar que eram "palavras horríveis" as expressões "segurança jurídica" e "clima de negócios", já que considerava esse conceitos "determinados pelo establishment". Na ocasião, ele também chamou de "imbecis" as pessoas que consideravam que o Estado argentino deveria pagar à empresa espanhola Repsol a indenização de 8 bilhões pela expropriação de sua subsidiária argentina, a petrolífera YPF.

Cristina também designou um novo chefe de gabinete de ministros, Jorge Capitanich, governador da Província de Chaco, famoso por suas políticas clientelistas. Além disso, removeu a economista Mercedes Marcó del Pont do comando do Banco Central, e a substituiu com Juan Carlos Fábrega.

A presidente também trocou o comando do ministério da Agricultura, que estará nas mãos de Carlos Casamiquela. Apesar dos pedidos do empresariado, que solicitava sua remoção, o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, permanece no cargo.

Retorno. Sentada com um filhote de cachorro venezuelano no colo e ao lado de um enorme pinguim de pelúcia, Cristina reapareceu nesta segunda em um vídeo no qual agradece aos argentinos o apoio que recebeu durante a convalescença após a cirurgia no crânio a que foi submetida há um mês e meio. A volta de Cristina à mídia também continha uma surpresa: o fim de seu luto estrito, já que – depois de três anos ostentando vestidos de cor preta – ela reapareceu com uma camisa branca e um cardigan escuro.

"Olá, como estão?" foram as primeiras palavras pronunciadas com aparente timidez por Cristina no vídeo feito por sua própria filha, Florencia Kirchner, que estudou cinema em Nova York. "Depois de tantos dias, estamos de volta, em contato", disse Cristina, olhando para a câmera. Em seguida, a presidente agradeceu aos médicos e enfermeiros pelo atendimento que recebeu e admitiu, em tom grave: "Foram momentos difíceis, não vou negar... mas estamos aqui, trabalhando como sempre. Todo mundo passa por operações... mas a cabeça é a cabeça".Sorridente e mais magra, Cristina falou de maneira informal, sentada em um sofá da residência presidencial.

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