Cristina passa por cirurgia de 3 horas para tirar tumor

Segundo a Casa Rosada, não houve complicações na remoção da tireoide da presidente; boletim médico deve ser divulgado hoje

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2012 | 03h01

A operação de 3 horas e meia feita ontem para retirada da glândula tireoide - comprometida por um tumor - da presidente argentina, Cristina Kirchner, foi considerada bem-sucedida pelos médicos. Ela deve permanecer internada por 72 horas no Hospital Austral, na cidade de Pilar, na Grande Buenos Aires, e voltará ao cargo, segundo as previsões iniciais, no dia 24.

"A cirurgia foi realizada sem inconvenientes nem complicações", disse o porta-voz da Casa Rosada, Alfredo Scoccimarro. Ele disse que Cristina acordou pouco depois da operação. O porta-voz indicou que a equipe de oito médicos removeu a glândula inteira. Segundo ele, Cristina só poderá falar 48 horas após a operação. O próximo boletim médico será anunciado hoje.

Cinco equipes de segurança estão espalhadas na região para garantir a proteção da presidente. Além de ter a segurança reforçada por soldados colocados nos telhados do hospital administrado pela Opus Dei, o lugar estava cheio de integrantes do governo Kirchner.

Após sair da internação, Cristina passará o restante de sua licença médica de 20 dias no casarão que possui em El Calafate, na Patagônia, segundo a previsão inicial. Mas há a possibilidade de que ela passe parte desse período na residência presidencial de Olivos, na zona norte de Buenos Aires.

Diversos representantes da oposição, entre eles o deputado Ricardo Alfonsín, ex-candidato presidencial da União Cívica Radical (UCR), enviaram seus votos de uma rápida recuperação à presidente Cristina.

Sucessão. A doença de Cristina deu início a um debate inesperado sobre a sucessão presidencial, assunto que era considerado tabu nas fileiras do governo Kirchner. A presidente não poderia ser reeleita para um terceiro mandato. Apesar desse impedimento, o kirchnerismo carece até o momento de um sucessor de peso para Cristina.

Para analistas, seu vice-presidente, Amado Boudou, não possui base política própria. Portanto, só seria respaldado pelo peronismo como candidato à sua sucessão em 2015 em caso extremo.

Especialistas também afirmam que, caso a presidente consiga manter sua popularidade elevada nos próximos anos, o plano seria implementar a "manobra Lula", denominação dada no âmbito político em Buenos Aires à estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de eleger a atual presidente Dilma Rousseff e manter relativa influência no governo do sucessor.

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