AFP PHOTO / EITAN ABRAMOVICH
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Cristina pede para ser julgada no caso dos dólares

Justiça argentina investiga denúncia de fraude em contratos futuros do BC argentino no fim da gestão da ex-presidente no ano passado

O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2016 | 18h37

BUENOS AIRES -  A ex-presidente argentina Cristina Kirchner pediu ontem para ser julgada no caso que investiga abuso de poder econômico em operações cambiais no Banco Central nos últimos meses do seu governo. Segundo sua defesa, a ex-presidente quer acelerar o processo e demonstrar que é perseguida politicamente pelo juiz Claudio Bonadio. 

Na sexta-feira, a Câmara Federal de Buenos Aires, um tribunal de segunda instância, confirmou o indiciamento de Cristina e outros 14 envolvidos no caso, entre eles o ex-ministro da Economia e hoje deputado, Axel Kicillof. Além disso, a Justiça ratificou um bloqueio de bens da ex-presidente estimado em US$ 950 mil. “Houve administração de má-fé e dano ao patrimônio público”, disse Bonadio na decisão.

“Esse bloqueio e o indiciamento são um disparate jurídico”, disse o advogado de Cristina, Gregório Dalbón. “Qual grau de confiança merecem os juízes que tentam resolver o caso de uma maneira escandalosa. Não há nenhuma referência de que ela tenha se beneficiado do dinheiro.”

Ainda de acordo com a defesa da ex-presidente, Cristina pretende ser julgada porque desde o primeiro momento quis explicar publicamente o caso. 

No final de 2015, o Banco Central argentino vendeu dólares no mercado futuro, quando era esperado que o governo atual desvalorizasse o peso. A diferença na cotação, que acabou sendo paga pelo BC quando os contratos venceram neste ano, custou cerca de 70 milhões de pesos ao erário argentino (US$ 3,11 milhões) segundo a Justiça. 

O juiz Bonadio, que atua em vários dos principais casos envolvendo o kirchnerismo, caracterizou a operação com os dólares de “especulação”. “É um dos maiores modos de corrupção que existem”, disse o magistrado. “Custou aos argentinos um prejuízo milionário.”

“Todo o caso carece de argumentos jurídicos. Não há provas nem argumentos legais que justifiquem um processo tão grave”, disse Carlos Beraldi, outro advogado de Cristina. “Seguindo instruções expressas da ex-presidente, peço que se arbitrem as medidas pertinentes para que o processo seja levado a julgamento com rapidez, para que tudo se esclareça publicamente ante uma instância judicial imparcial.”/ EFE

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