Cristina pede que EUA incluam caso AMIA em diálogo com Irã

Presidente argentina quer que ataque terrorista seja assunto das conversas entre Obama e Rohani.

Ariel Palacios,

30 de setembro de 2013 | 21h45

A presidente Cristina Kirchner pediu nesta segunda-feira, 29, ao governo dos Estados Unidos que “inclua o caso AMIA no diálogo com o Irã”. No pedido, realizado por Cristina em sua conta pessoal de Twitter, a presidente argentina indicou que o atentado, que, em 1994 arrasou o edifício da Associação Mutual Israelita Argentina em pleno centro portenho, seja assunto das conversas iniciadas há poucos dias entre os presidentes Barack Obama e Hassan Rohani.

A Justiça argentina acusa cinco autoridades iranianas, que integravam na época o governo de Teerã, de ter realizado o atentado contra a AMIA em conjunto com o Hezbollah. O ataque teve o saldo de 85 mortos e 300 feridos. A Argentina conta com a maior comunidade judaica da América Latina.

“Por acaso o caso AMIA foi mencionado, pelo qual sempre reclamam ao governo argentino todas as organizações judaicas americanas?”, perguntou Cristina pelo Twitter. A presidente reclamou das críticas que recebeu quando fechou um pacto com o Irã para investigar o atentado: “Existe um duplo padrão midiático e político. Consideram que é histórico (somente) se quem fala com o Irã é os Estados Unidos.”

No início deste ano, o governo Kirchner fez um acordo com Teerã para criar uma “comissão da verdade” conjunta para investigar o atentado contra a AMIA. Esse acordo foi aprovado no Parlamento, em Buenos Aires, em fevereiro, com a oposição da comunidade judaica, que sustenta que isso implica em um retrocesso para as investigações.

Durante meses, o governo argentino ficou em compasso de espera para a aprovação formal do acordo por parte dos iranianos. Finalmente, neste fim de semana, o chanceler argentino Héctor Timerman reuniu-se com seu colega do Irã, Javar Zarif, que lhe confirmou que o memorando pactuado entre ambos governos “havia sido aprovado por todas as instâncias do governo” em Teerã. No entanto, no encontro entre os dois chanceleres, não ficou claro se o pacto havia sido aprovado pelo parlamento em Teerã, tal como havia pedido a presidente Cristina.

Timerman admitiu que não foi possível fixar uma data para interrogar os acusados pelo atentado. O ministro argentino explicou que combinou uma nova reunião de trabalho, em novembro, em Genebra.

 

 

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