Cristina pode ter licença prorrogada

Presidente argentina teria problema cardíaco que exigiria nova cirurgia, desta vez para a implantação de um aparelho de marca-passo

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

28 de outubro de 2013 | 23h09

BUENOS AIRES - A presidente Cristina Kirchner, submetida a uma cirurgia no crânio no dia 8, pode ter sua licença médica prorrogada. Há rumores de que ela pode até ter de se submeter a nova operação, desta vez no coração, em 50 ou 60 dias.

No domingo, o filho de Cristina, Máximo Kirchner, admitiu que não sabia quando sua mãe voltaria ao trabalho. As diferentes versões sobre complicações no estado de saúde de Cristina estão em sintonia com boatos que ressaltam a relativa gravidade dos problemas cardíacos da presidente, que não eram de conhecimento público poucas semanas atrás.

Segundo relatório médico, a presidente tem uma "disfunção autonômica vagotônica da pressão arterial". As informações que circulam extraoficialmente indicam que ela precisaria da instalação de um marca-passo. Nesta hipótese, a presidente estenderia a licença médica durante o verão. Desde a saída do hospital, ela permanece em repouso absoluto na residência presidencial de Olivos, na zona norte da Grande Buenos Aires. Viagens de avião estão proibidas.

O texto do último boletim médico da presidente, na quarta-feira, já tinha dado sinais de que a volta de Cristina, prevista para o dia 8, quando concluiria a licença de um mês, não era uma data categórica. "Ela continuará em repouso até que sejam cumpridos 30 dias desde a cirurgia, realizando-se, oportunamente, uma nova avaliação."

A deputada Elisa Carrió, líder de uma coalizão de oposição de centro-esquerda, afirmou ontem que os argentinos "não sabem" se a presidente "voltará" à Casa Rosada. "Pela frente, o país terá dificuldades econômicas, sociais e políticas. Restam dois anos de governo e não sabemos se teremos presidente."

Especulação. Analistas já trabalham abertamente com o cenário de renúncia de Cristina antes do fim do ano.

Nessa hipótese, não assumiria o poder o vice-presidente, Amado Boudou, suspeito de vários casos de corrupção, além de ser o integrante do governo com a pior aprovação popular. Também seriam excluídos a presidente do Senado, Beatriz Alperóvich de Rojkes, amiga de Cristina, mas sem cacife político, e o presidente da Câmara, Julián Domínguez, figura leal à Casa Rosada, porém, também considerada "fraca". A alternativa constitucional seria convocar o Congresso Nacional sob a forma de assembleia unicameral, que escolheria um presidente provisório. No entanto, a lei prevê que, para ser designado ao cargo máximo do Executivo dessa forma, a pessoa tem de ser governador ou senador.

Informações extraoficiais apontam que o governador bonaerense, Daniel Scioli - um kirchnerista "light", bem relacionado nos meios empresarial e sindical -, é o nome mais forte para ocupar interinamente a presidência, caso Cristina deixe o poder. Scioli é visto como alguém capaz de alcançar consenso, virtude que quase mais ninguém nas fileiras do kirchnerismo tem. O governador conta ainda com a vantagem de ser uma figura "tolerada" por peronistas dissidentes.

A remoção de toda a linha sucessória tem um precedente no peronismo: em 1973, o presidente Héctor Cámpora abandonou o barco, assim como seu vice e o presidente do Senado. Fora do bloco peronista, esse mecanismo foi adotado em duas outras ocasiões, em dezembro de 2001 e janeiro de 2002.

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