Cristina prepara festa para fragata retida por sete meses em Gana

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, comanda hoje uma manifestação em Mar del Plata para recepcionar a fragata Libertad. O clima pretende ser épico e mostrar a presidente como a comandante da Argentina - cartazes com sua figura diante de um leme foram espalhados pelo país. O navio-escola foi alvo de um embargo solicitado pelo NML, um fundo de investimentos de Wall Street, à Justiça de Gana. A embarcação atracará no litoral argentino após sete meses parada no Golfo da Guiné.

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2013 | 02h03

A Casa Rosada enviou convites aos governadores e líderes parlamentares para que compareçam ao evento em Mar del Plata. Além disso, o governo e seus aliados organizaram a ida de dezenas de milhares de militantes kirchneristas para manifestar apoio a Cristina.

Autoridades portuárias de Mar del Plata avisaram que o porto não tem calado suficiente para que a fragata entre. Rapidamente foram realizadas obras de dragagem, possibilitando que a Libertad atraque e receba as boas-vindas de Cristina.

Analistas destacam que o governo pretende transformar a volta da fragata à Argentina em uma epopeia que represente a luta nacionalista do governo Kirchner contra os credores internacionais. De quebra, diversos setores peronistas estão fazendo campanha para mudar o nome do navio para Eva Perón, mulher do presidente Juan Domingo Perón. O fundo NML, chamado de "abutre" pelo governo Kirchner, possui títulos da dívida pública argentina sem pagamento desde dezembro de 2001. O grupo tentava embargar bens do Estado argentino.

A Justiça ganense determinou uma multa e o governo argentino teria de fazer um depósito US$ 20 milhões para liberar a fragata. No entanto, o Tribunal Marítimo de Hamburgo determinou, em uma decisão anunciada na semana passada, que Gana deveria autorizar a partida do navio argentino.

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