Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Cristina quer reaver Malvinas ‘sem guerra’

Em cerimônia, presidente pede a premiê britânico que acate resolução da ONU

Ariel Palacios, correspondente/Buenos Aires,

02 de abril de 2012 | 21h45

BUENOS AIRES - "A guerra não deve ser celebrada. A guerra traz somente atraso e ódio. Por isso nos transformamos em porta-bandeiras da paz", afirmou ontem a presidente Cristina Kirchner durante a cerimônia para homenagear os 649 soldados argentinos que morreram em combate durante a Guerra das Malvinas, em 1982.

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No discurso do 30.º aniversário do desembarque das tropas enviadas pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri às Malvinas, a presidente afirmou que a Argentina pretende reaver as ilhas "pelas vias pacíficas".

"A guerra não foi uma decisão do povo argentino", afirmou, tentando desvincular o povo argentino da Guerra das Malvinas e omitindo o respaldo ostensivo das multidões ao ditador Galtieri na época do conflito.

A Argentina reivindica a posse do arquipélago que foi controlado pela Província de Buenos Aires entre 1820 e 1833 e dominado pelos britânicos nos 179 anos seguintes, exceto pelo breve intervalo de 74 dias quando as tropas da ditadura argentina controlaram as ilhas durante a guerra de 1982.

Com um tom mais suave que o costumeiro, a presidente pediu ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, que acate as resoluções da ONU que convocam os dois países a dialogar sobre a soberania do arquipélago.

Cristina discursou diante do monumento aos mortos nas Malvinas na cidade de Ushuaia, capital da Província de Terra do Fogo. A escolha de Ushuaia para a cerimônia central das homenagens teve um simbolismo especial, já que a província, pelo menos no papel, tem jurisdição sobre as Malvinas.

"Não reclamamos nenhuma coisa além do diálogo para discutir a soberania, respeitando o interesse dos ilhéus", sustentou Cristina.

Esta foi a primeira vez que a presidente se referiu extensamente aos kelpers – os habitantes das Malvinas –, descendentes de escoceses, galeses, irlandeses e ingleses. "Poucos países no mundo possuem a liberdade migratória que a Argentina tem. Ora essa, como é que não respeitaríamos os ilhéus?"

"É uma injustiça que em pleno século 21 ainda existam enclaves coloniais", disse Cristina sobre as Malvinas. "Existem somente 16 colônias em todo o mundo. Dez delas são da Grã-Bretanha. Os britânicos pretendem ter um domínio a mais de 14 mil quilômetros de distância (de Londres)."

Cristina anunciou que enviou uma carta à Cruz Vermelha "para que interceda perante a Grã-Bretanha pela identificação dos os argentinos (mortos em combates nas ilhas) que ainda não puderam ser identificados". Mais de cem soldados argentinos estão enterrados sem identificação no cemitério argentino em Darwin, nas Malvinas.

 

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