'Cristina quer ser a herdeira de Chávez'

Cristina Kirchner pretende liderar o movimento nacional e popular na América do Sul deixada por Hugo Chávez, acredita o jornalista argentino Jorge Lanata. Em entrevista ao Estado, ele afirma que o bloco é composto por países como Argentina, Venezuela, Equador e Bolívia, além de Nicarágua e Cuba. Lanata, que foi detido e interrogado pelo Serviço Bolivariano de Inteligência durante sua cobertura das eleições presidenciais na Venezuela, em outubro, acredita que o controle oficial da mídia ajudará o chavismo a manter-se no poder. A seguir, os principais trechos da entrevista.

MARINA GUIMARÃES , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2013 | 02h09

Como o sr. analisa o segredo que o governo venezuelano manteve sobre a doença de Chávez?

O governo venezuelano manejou a doença dele como um segredo deliberado que, para mim, foi equivocado. A única coisa que fizeram foi provocar mais rumores sobre o que estava ocorrendo. Inclusive, fizeram uma campanha para desmentir que Chávez tinha câncer.

Como foi sua detenção em

Caracas?

Houve pressão de todo tipo porque divulgamos um expediente interno do serviço de inteligência venezuelano que tinha feito investigações sobre jornalistas. Outros jornalistas estrangeiros eram seguidos na Venezuela. O colunista Carlos Pagni, do La Nación, disse uma frase que me parece exata: a Venezuela é um espelho que antecipa a Argentina. Eu acho que isso mostra muito bem o que pode ser a Argentina. Há muitos pontos de contato.

Cristina fica mais isolada sem Chávez?

O acordo com o Irã, que a Cristina impulsionou, é um efeito do que ela intuiu: que o final de Chávez estava próximo e ela tentará se apresentar como uma líder regional desse bloco. Cristina deve ter pensado que, com o desaparecimento de Chávez, poderia assumir a liderança desse grupo de países, já que o Equador e a Bolívia não têm o peso político e econômico que a Argentina tem. Ela estaria em uma posição favorável. Cristina está tentando ser líder do que poderíamos chamar de bloco de países emergentes independentes.

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