Cristina quer submeter a exame juiz de 97 anos

Aos 97 anos, o juiz argentino Carlos Fayt, voltou na manhã de ontem à Corte Suprema, formada por ele e outros três desde que um saiu em outubro, aos 75 anos. A aposentadoria não é obrigatória. Fayt, que tem trabalhado de casa, foi saudado por centenas de manifestantes que defendem sua permanência.

RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2015 | 02h03

Na noite anterior, a comissão de juízo político da Câmara, dominada pelo kirchnerismo, aprovou um pedido para que ele passe por um exame mental e chamou testemunhas. Isso indignou tanto aposentados quanto associações que denunciam uma tentativa de imobilizar o Judiciário. "Para afastá-lo, seria preciso um juízo político com duas passagens pela Câmara e uma pelo Senado", disse Ricardo Recondo, presidente da Associação de Magistrados, que denunciou "discriminação por idade". O chefe de gabinete kirchnerista, Aníbal Fernández, afirmou que se Fayt fizer a prova "as coisas se agravam".

Por ser um ano eleitoral, há um pacto para que o quinto magistrado seja escolhido no próximo governo. Se Fayt se aposentar, o tribunal ficará com três. "Tecnicamente é possível, mas na prática imobiliza a Corte", disse ao Estado o constitucionalista Jorge Gentile, da Universidade Católica de Córdoba. Cada tema precisa de três votos para ser decidido. Na falta de unanimidade, um juiz de um tribunal inferior seria chamado.

Entre os cerca de 500 manifestantes, estava Jorge Baño, de 72 anos. "É um ataque à independência do Judiciário, para livrar-se das investigações de corrupção. Esperem que morra pelo menos", protestou. Ao seu lado, uma senhora levava um cartaz que dizia "idade avançada não anula inteligência".

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